Japão pode ajudar Coréia do Norte a desmontar programa nuclear

O Japão pode ajudar a Coréia do Norte a livrar-se de seu programa nuclear, mas ainda se recusa a oferecer auxílio no setor energético devido a uma disputa em torno do sequestro de cidadãos japoneses por agentes norte-coreanos, afirmou na terça-feira um importante porta-voz do governo japonês. O Japão continua recusando-se a fornecer ajuda no setor energético mesmo depois de os EUA terem decidido, na semana passada, tirar a Coréia do Norte de uma lista de países acusados pelos norte-americanos de patrocinarem o terrorismo. A manobra foi adotada após os dois países acertarem as medidas de verificação sobre o programa nuclear norte-coreano. Mas o governo japonês vem sendo pressionado pela Coréia do Sul, que quer a participação do Japão nos esforços para prover a ajuda no setor energético prometida à Coréia do Norte no acordo firmado por seis países com vistas a colocar fim ao programa nuclear norte-coreano. Além das duas Coréias, do Japão e dos EUA, também assinaram o acordo a China e a Rússia. Na terça-feira, a Coréia do Norte disse que o Japão não se qualificava mais para continuar envolvido nas negociações. O governo japonês enfrenta pressões internas para descobrir o paradeiro de 12 pessoas que teriam sido sequestradas por agentes norte-coreanos nos anos 70 e 80. "O Japão não fornecerá ajuda no setor energético se não houver avanços na questão dos sequestrados. Nós já tínhamos declarado isso", afirmou o secretário-chefe de gabinete, Takeo Kawamura, em uma entrevista coletiva. "No entanto, em termos da questão nuclear, o Japão está contribuindo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e é possível que o país contribua com as manobras realizadas nessa área." Há uma preocupação crescente com a possibilidade de o Japão ficar para trás nas negociações se continuar intransigente a respeito das vítimas do sequestro, entre as quais há uma menina capturada quando caminhava da escola para casa. Uma autoridade sul-coreana familiarizada com as negociações disse a repórteres na terça-feira que talvez fosse necessário buscar uma alternativa no caso de o Japão não cooperar no setor energético. "Talvez tenhamos de avaliar a participação da comunidade internacional", afirmou a autoridade, acrescentando que nenhum país específico havia sido confirmado como participante do processo. O jornal japonês Yomiuri disse que os EUA encontravam-se nos estágios derradeiros a fim de incluir outros países, entre os quais a Austrália, para ajudar a pagar a conta, uma manobra que, segundo a publicação, diminuiria ainda mais as chances de haver avanços na questão dos sequestrados. Os seis países envolvidos atualmente acertaram doar 1 milhão de toneladas de combustível pesado ou o equivalente a isso a fim de dar energia à Coréia do Norte quando o país desativar sua usina em Yongbyon e oferecer uma declaração completa sobre seus programas nucleares. Ao invés da ajuda na forma de combustível, o Japão considera a possibilidade de enviar dinheiro e tecnologia no valor de cerca de 16 bilhões de ienes (157 milhões de dólares) para serem usados na desmontagem do programa nuclear norte-coreano, afirmou o jornal Nikkei na terça-feira, sem identificar a fonte de suas informações. Essa é mais ou menos a cifra que o Japão foi instado a contribuir para a ajuda no setor energético, disse a publicação. A Coréia do Norte, no entanto, afirmou indignada que o governo japonês não tem mais o direito de participar das negociações. Em 2006, a Coréia do Norte realizou seu primeiro teste com uma bomba nuclear de plutônio. E o país estaria conduzindo um programa de enriquecimento de urânio para desenvolver outras armas atômicas. (Reportagem de Yoko Kubota e Linda Sieg em Tóquio e Jack Kim em Seul)

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