Japão pode ficar isolado se não colaborar com Pyongyang

O Japão insistiu nesta quarta-feira que pressionará a Coréia do Norte a resolver a disputa em relação aos cidadãos seqüestrados no país, nas décadas de 70 e 80, mas analistas dizem que a posição de Tóquio pode deixar o país isolado, depois do acordo firmado na terça-feira, 13.Representantes das duas Coréias, dos EUA, da Rússia, do Japão e da China assinaram um documento que estabelece os primeiros passos para o encerramento do programa nuclear norte-coreano. Em troca, as nações devem fornecer auxílio energético e econômico ao vizinho comunista.O Japão afirmou que não dará assistência, caso a disputa sobre os seqüestrados não seja resolvida. "Nós deixamos claro que não haverá normalização das relações diplomáticas a não ser que o tema dos seqüestros seja resolvido", disse o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe. "Quero uma resolução através da nossa posição básica de negociação, de diálogo e pressão".Abe, que deve grande parte de seu apoio no Japão à sua dura posição em relação a Pyongyang, não deverá mudar de conduta antes da eleição da para a Câmara Alta, que deve acontecer em julho, principalmente porque sua popularidade está em queda no país. "Abe tem que escolher entre a cooperação internacional e a opinião pública interna", disse Masao Okonogi, especialista em Coréia da Universidade Keio, em Tóquio. "Ele não mudará de posição até a eleição para a Câmara Alta, mas, depois, o Japão poderá ficar isolado internacionalmente."Descontentamento A Coréia do Norte expressou seu descontentamento em relação à decisão do Japão de não colaborar com as medidas previstas no acordo que prevê o encerramento do programa nuclear norte-coreano. "O papel que cada país deve assumir foi claramente estabelecido durante as negociações multilaterais", disse Ri Pyong Dok, pesquisador do Ministério de Exteriores da Coréia do Norte, à agência japonesa Kyodo.Ri disse também que ainda é possível considerar, no entanto, a formação de um grupo de trabalho para discutir a normalização das relações diplomáticas entre os dois países. Essa é uma das cinco comissões específicas propostas pelo acordo assinado em Pequim.Japoneses seqüestradosO Japão foi um grande colaborador para o acordo multilateral de 1994, em que a Coréia do Norte concordou em congelar seu programa nuclear em troca de ajuda de emergência. No entanto, o pacto fracassou depois.Em 2002, a Coréia do Norte provocou reações no país vizinho ao admitir que Pyongyang seqüestrou japoneses para obrigá-los a colaborar com o treinamento de idioma e cultura para espiões. Cinco das vítimas foram repatriadas com seus filhos, nascidos na Coréia do Norte, e Pyongyang ainda afirma que os outros oito estão mortos.O Japão, no entanto, quer obter mais informações sobre os mortos e afirma que outros três japoneses também teriam sido seqüestrados. Tóquio quer a devolução de eventuais sobreviventes, enquanto a Coréia do Norte afirma que o assunto está encerrado.O Japão quer também que os seqüestros sejam levados em conta quando Washington começar o processo de remoção da Coréia do Norte de sua lista de países que patrocinam o terrorismo, previsto também no acordo resultante das negociações multilaterais.

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