Japão prepara nova tática para usina de Fukushima após revés

Autoridades japonesas estão preparando uma nova abordagem ao trabalho de resfriamento dos reatores da usina nuclear de Fukushima, após descobrirem no subsolo de uma unidade inutilizada pelo terremoto e tsunami de março um tanque de água radiativa que tem as dimensões de uma piscina olímpica.

RIE ISHIGURO E KEVIN KROLICKI, REUTERS

15 de maio de 2011 | 11h35

A descoberta obrigou as autoridades a abandonarem seu plano original para controlar o reator 1 da usina de Fukushima Daiichi, enquanto focam sobre como lidar com o tanque crescente de água, visto por alguns especialistas como ameaça ao lençol de água subterrânea e à costa do Pacífico.

Apesar do revés, as autoridades de segurança nuclear japonesas e a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Company (Tepco), pretendem manter a meta de estabilizar a usina e levar seus reatores ao estado de "fechamento a frio" até janeiro próximo.

Nesse momento, a temperatura do combustível no núcleo dos reatores terá caído, e o combustível não poderá mais fazer ferver a água que o cerca.

"Queremos preservar o cronograma, mas ao mesmo tempo vamos ter que mudar nossa abordagem", disse Goshi Hosono, assessor do primeiro-ministro Naoto Kan, em um talk show de televisão no domingo.

Alguns especialistas externos sugerem que o cronograma inicial para Fukushima talvez tenha sido demasiado otimista. O terremoto de 9,0 graus e o tsunami que o seguiu desencadearam o pior acidente nuclear mundial desde o de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

"Nós teríamos cautela em dizer que o perigo acabou, enquanto a descontaminação e limpeza do local não estivessem bem adiantados, sem mais vazamentos", disse em e-mail Serge Gas, porta-voz da Agência de Energia Nuclear, sediada em Paris.

A Tepco está prevista para apresentar informações atualizadas sobre o progresso dos trabalhos na terça-feira. Em duas aparições na televisão no domingo, Hosono disse que o governo também anunciaria seu próprio cronograma.

A Tepco se prepara para pagar indenizações a milhares de moradores e estabelecimentos comerciais da região da usina, agricultores e pescadores, sob um plano dirigido e parcialmente financiado pelo governo.

O terremoto e o tsunami de 15 metros que o seguiu devastaram a costa nordeste do Japão, deixando mais de 15 mil mortos. Outras 9.500 pessoas ainda estão desaparecidas.

"TEMOS UM PROBLEMA"

Na última semana emergiram detalhes sobre a situação no reator 1. Os avanços no sentido de controlar a unidade vêm sendo vistos como teste da rapidez com que poderão proceder os trabalhos nos outros três reatores danificados.

Uma das revelações feitas foi que o combustível no reator se derreteu após o terremoto e caiu para o fundo do recipiente de pressão no núcleo do reator, cerca de 16 horas após o terremoto.

Um robô no primeiro piso do prédio do reator registrou na sexta-feira radiação em um nível que impede que os trabalhadores fiquem na área por mais de oito minutos sem exceder os limites de exposição.

Além disso, o recipiente de contenção do reator deixou vazar grandes volumes de água radiativa dentro do prédio do reator.

No sábado, um técnico da Tepco pôde olhar dentro do subsolo do reator 1 e o viu cheio de água até quase a metade de sua altura de 11 metros, volume maior que o de uma piscina olímpica.

Críticos disseram que a injeção de grandes volumes de água pode provocar graves riscos ambientais.

Um porta-voz da Agência de Segurança Nuclear e Industrial, Hidehiko Nishiyama, disse que estão sendo preparadas novas medidas para tratar e armazenar a água radiativa em Fukushima.

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