EFE/Kimimasa Mayama
EFE/Kimimasa Mayama

Japão homenageia vítimas do terremoto que devastou Fukushima em 2011

Tremor seguido de tsunami deixou mais de 18 mil vítimas e transformou a cidade em escombros, além de provocar o maior desastre nuclear do mundo depois de Chernobyl

O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 10h23

RIKUZENTAKATA, JAPÃO - O Japão lembrou nesta sexta-feira, 11, as milhares de pessoas que perderam as vidas em um grande terremoto seguido de um tsunami há cinco anos, que transformou cidades em escombros e provocou o maior desastre nuclear do mundo desde o acidente de Chernobyl em 1986.

O tremor de magnitude 9,0 aconteceu em uma sexta-feira fria, desencadeando ondas imensas ao longo de um largo trecho do litoral e matando quase 20 mil pessoas. O tsunami danificou a usina nuclear de Fukushima Dai-ichi, provocando vazamentos que contaminaram a água, os alimentos e o ar.

O então primeiro-ministro, Naoto Kan, disse que temeu ter que mandar esvaziar a capital Tóquio e que a própria existência do Japão estivesse em perigo.

Mais de 160 mil pessoas foram retiradas das cidades próximas, e cerca de 10% delas ainda vivem em acomodações temporárias no município de Fukushima. A maioria se reacomodou fora de suas cidades de origem e recomeçou a vida. Algumas áreas continuam interditadas em razão da alta radiação. 

Manifestantes que protestavam diante da Tokyo Electric Power Co (Tepco), operadora da usina nuclear, diziam "me devolvam minha cidade!". Nos cemitérios localizados ao longo do litoral devastado, diante de edifícios arrasados pelas ondas, famílias se reuniram para oferecer flores e incensos, enxugando as lágrimas. As bandeiras estavam a meio-mastro nos prédios do governo central, algumas com faixas pretas.

Na cidade costeira de Rikuzentakata, devastada por uma onda que pode ter chegado a 17 metros e que perdeu 7% de sua população, assim como todo o centro da localidade, a dor ainda é forte.

"A realidade é que ainda sentimos as cicatrizes aqui, e ainda há muitos lutando para recomeçar suas vidas", contou Yashichi Yanashita, funcionário aposentado da prefeitura de 65 anos. O prédio de quatro andares onde trabalhava foi inundado pela onda gigante.

Às 2h46 do horário local desta sexta-feira, momento em que o terremoto aconteceu, sinos foram tocados no centro de Tóquio e em todo o país pessoas curvaram a cabeça em um instante de silêncio. Todos os trens do metrô da capital ficaram parados por um minuto.

No Teatro Nacional de Tóquio, uma sóbria cerimônia, com o mesmo esquema e decoração dos quatro aniversários anteriores, lembrou as mais de 18 mil vítimas do desastre natural.

O atual premiê, Shinzo Abe, e o imperador japonês, Akihito, se curvaram diante de um palco repleto de flores brancas e amarelas em uma cerimônia em Tóquio testemunhada por 1.200 mil pessoas, incluindo sobreviventes da área afetada.

O governo japonês gastou 26 trilhões de ienes (R$ 832 bilhões) entre 2011 e 2015 na região atingida, e calculou outros 6,5 trilhões de ienes até 2020.

O que continua sendo um desafio a longo prazo para o país é a latente crise de Fukushima, causada pelo pior acidente nuclear da história.

A usina enfrenta um longo e incerto processo de desmantelamento, tarefa que durará quatro décadas, e que lida com as dificuldades de como conter os vazamentos de água radioativa e de retirar e armazenar o combustível nuclear gasto. /REUTERS e EFE

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