Japão reafirma ajuda à reconstrução iraquiana, diz premier

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, prometeu nesta segunda-feira, 9, ao presidente iraquiano, Nouri al-Maliki, que o Japão continuará apoiando a reconstrução do Iraque. Ambos os líderes concordaram em fortalecer os laços econômicos e políticos.Al-Maliki iniciou nesta segunda, 9, uma visita oficial de três dias ao Japão com uma audiência solene com o imperador Akihito, no Palácio Imperial de Tóquio. Abe afirmou ao dirigente iraquiano que seu país é essencial para a estabilidade do Oriente Médio e extremamente importante para os interesses nacionais do Japão. Segundo um comunicado do Ministério de Relações Exteriores japonês, "a estabilidade do Iraque é essencial para o interesse nacional do Japão, que importa do Oriente Médio 90% do petróleo de que necessita".Al-Maliki afirmou que o Iraque enfrenta muitos desafios, mas que seu país pretende superar as dificuldades para alcançar o máximo de seu potencial, segundo informou a agência de notícias Kyodo.O Japão apóia a liderança do xiita Al-Maliki e do vice-presidente iraquiano, o sunita Tariq al-Hashimi, para conseguir acabar com o clima de violência no Iraque, segundo a agência japonesa."Para melhorar a situação no Iraque, é essencial que o governo iraquiano faça esforços para promover a reconciliação nacional mediante o êxito das medidas de segurança", disse o Executivo japonês. ReconstruçãoDurante uma reunião com o ministro da Defesa Fumio Kyuma, o presidente iraquiano pediu a cooperação de Tóquio para que as empresas voltem ao Iraque, depois de afirmar que o norte curdo e o sul do país são "relativamente estáveis".Kyuma disse ter esperança de que o setor privado japonês possa retomar suas atividades nas regiões estáveis do Iraque e deu como exemplo Erbil, no norte do país, um dos pontos de chegada dos vôos das Forças de Autodefesa japonesas que saem do Kuwait. Maliki, que chegou a Tóquio no último domingo, se mostrou de acordo com Kyuma de que a situação da segurança de Bagdá ainda tem muito a melhorar.Há dois meses, Kyuma realizou polêmicas declarações nas quais qualificou de "errônea" a decisão do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de iniciar a Guerra do Iraque.O Japão poderia estender os programas de créditos ao Iraque no valor de 57,7 bilhões de ienes (cerca US$ 485 milhões) para a reparação dos fornecimentos de eletricidade e água, dentro da linha de apoio que o país firmou com o Iraque.Maliki se reuniu de manhã com o imperador do Japão, Akihito, quando expressou o desejo de que o Iraque aprenda com a experiência japonesa, que teve um grande desenvolvimento depois da Segunda Guerra Mundial, após agradecer os esforços japoneses na reconstrução do Iraque.Akihito perguntou ao premier sobre os esforços para eliminar os conflitos internos no Iraque, e Maliki disse que planeja terminar com o conflito entre diferentes grupos étnicos com um projeto de reconciliação nacional por meio da televisão e com a implementação de várias leis.Apoio à guerraO Japão foi um dos países que mais apoiaram os Estados Unidos na invasão do Iraque e chegou a enviar tropas de infantaria em missão humanitária para a região de Samawa, no sul do país.Os efetivos ficaram na região do início de 2004 até julho do ano passado, quando o governo japonês decidiu se retirar.Atualmente o Japão fornece apoio logístico aos americanos no Iraque, com vôos de transporte de tropas e mercadorias em três aviões C130, duzentos militares da Força Aérea japonesa e uma base no Kuwait.O governo japonês aprovou recentemente a terceira ampliação da cooperação de tropas japonesas no Iraque, desta vez por dois anos, até 31 de janeiro de 2009.A Câmara Baixa japonesa ainda não ratificou a lei que permitiria às tropas japonesas continuar fornecendo serviços de transporte aéreo para as forças das Nações Unidas e outras tropas multinacionais no Iraque.A Constituição pacifista japonesa, redigida pelos Aliados após a Segunda Guerra Mundial, proíbe a participação do Japão em programas de defesa coletiva, por isso o envio de militares ao Iraque precisou da aprovação de medidas especiais.

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