Japão reforça fiscalização de suas usinas atômicas

Especialistas alertam sobre novos acidentes na central de Kashiwazaki Kariwa

The Times e AP, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2007 | 05h37

O governo japonês ordenou ontem uma fiscalização de emergência em todas as usinas nucleares do país depois que especialistas advertiram sobre a possibilidade de novos acidentes com materiais radioativos na central atômica de Kashiwazaki Kariwa - uma das maiores do mundo. Na segunda-feira, um terremoto de 6,8 graus na escala Richter atingiu a costa noroeste do Japão e - além de deixar 9 mortos e mais de 900 feridos - provocou o vazamento de 1.200 litros de água radioativa para o mar. A companhia elétrica Tokyo Electric Power (Tepco), responsável pela direção da usina, divulgou ontem que, no total, foram registrados 50 problemas causados pelos tremores, incluindo incêndios, rompimento de tubos, quebra de equipamentos e vazamento de óleo. Na tarde de ontem, funcionários da empresa ainda consideravam possível um novo vazamento radioativo. A possibilidade foi confirmada por inspetores do governo. Eles revelaram que 100 contêineres com roupas e luvas contaminadas se romperam durante o terremoto. Também foram detectadas partículas radioativas no filtro de um reator nuclear que parou de funcionar por causa do terremoto. Segundo a Tepco, porém, tais partículas não apresentavam níveis perigosos de radiação. Kensuke Takeuchi, porta-voz da Tepco, qualificou os problemas informados ontem como "pequenos".A empresa admitiu erros na contenção dos incêndios em suas instalações. "Reconheço que houve certa ineficácia em nossas medidas", disse o presidente da Tepco, Tsunehisa Katsumata, após o ministro de Economia e Indústria, Akira Amari, cobrar explicações. Por ordem do governo, a usina deve permanecer fechada até que o impacto sobre seus reatores seja devidamente analisado. As usinas nucleares são responsáveis por 35% da eletricidade consumida pelos japoneses. O acidente da segunda-feira levanta sérias dúvidas sobre a capacidade das 55 usinas japonesas de resistir a terremotos mais intensos. Segundo especialistas, a maior parte das instalações nucleares do Japão não conseguiria suportar um tremor de mais de 6,5 graus na escala Richter. "Estou muito preocupado pelo ocorrido na instalação nuclear porque os responsáveis já mentiram no passado sobre as fugas radioativas", disse Koichi Ibe, de 83 anos, que mora nas imediações da usina. Cerca de 450 soldados vasculhavam ontem os escombros na cidade de Kashiwazaki - a mais atingida pelo terremoto - em busca de sobreviventes e forneciam água e alimentos aos cerca de 8.200 desabrigados. "O dano foi maior que o imaginado", disse Hiroshi Aida, prefeito da cidade. "Queremos restabelecer o fornecimento de água o quanto antes para que mais pessoas possam voltar a suas casas."

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