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Japão sai do roteiro e critica Coreia do Norte em cúpula nuclear

Maiores preocupações nucleares do mundo, envolvendo os programas atômicos de Coreia do Norte e Irã, não estavam na pauta do evento

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27 de março de 2012 | 09h08

SEUL - O Japão deixou de lado nesta terça-feira, 27, a pauta de uma cúpula nuclear e criticou a Coreia do Norte por planejar lançar um foguete em abril, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou contra a complacência no trato com o terrorismo nuclear.

Um comunicado emitido ao final dos dois dias de reunião com a presença de mais de 50 líderes mundiais, em Seul, foi pobre em detalhes sobre como reduzir o risco de que materiais atômicos caiam em mãos erradas, limitando-se a pedir de forma ampla que todos os materiais vulneráveis sejam protegidos num prazo de quatro anos.

As maiores preocupações nucleares do mundo, envolvendo os programas atômicos de Coreia do Norte e Irã, não estavam na pauta do evento, e esses dois países não foram convidados.

Mas o recluso regime comunista norte-coreano foi duramente criticado nos corredores do evento, inclusive por sua aliada China, embora a anfitriã Coreia do sul tenha declarado explicitamente que os programas de armas de destruição em massa de Pyongyang não estariam sobre a mesa durante o encontro, que abordou exclusivamente a salvaguarda de materiais e instalações nucleares.

Mas o premiê japonês, Yoshihiko Noda, ignorou o protocolo e apelou à comunidade internacional para que exija moderação da Coreia do Norte com relação ao lançamento do foguete no mês que vem.

Pyongyang diz que pretende colocar um satélite em órbita como homenagem ao centenário do fundador da nação, Kim Il-sung. Outros países alegam, porém, que isso viola restrições a testes balísticos de longo alcance.

"O planejado lançamento de míssil que a Coreia do Norte anunciou recentemente iria contra o esforço de não-proliferação nuclear da comunidade internacional e violaria as resoluções do Conselho de Segurança da ONU", disse Noda em seu discurso.

Os demais participantes da cúpula não citaram a questão norte-coreana. Na semana passada, Pyongyang disse que encararia como uma "provocação" se a cúpula abordasse o seu programa nuclear.

Nesta terça-feira, o regime norte-coreano afirmou que não teria razões para disparar mísseis depois de chegar a um acordo com os Estados Unidos, no mês passado, de suspender seus testes de mísseis e armas nucleares em troca de ajuda alimentar

Obama diz que a Coreia do Norte pode sofrer novas sanções caso leve adiante o lançamento do foguete, mas especialistas duvidam que a China aceite uma nova resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas contra o regime norte-coreano.

Em seu discurso, Obama afirmou que o mundo está mais seguro por causa de medidas destinadas a melhorar o controle de materiais e instalações nucleares, mas alertou que há uma ameaça real de que pessoas mal intencionadas se apossem de elementos necessários para a produção de uma bomba atômica rudimentar. "O terrorismo nuclear é uma das mais urgentes e sérias ameaças à segurança global", disse.

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