Japão se rende e termina a 2ª Guerra

Anunciada pelo rádio, mensagem do imperador põe fim a conflito que matou milhões de pessoas

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

Em 15 de agosto de 1945, o Japão era uma nação arrasada pelo esforço de guerra, vencida estrategicamente, sem armas, sem recursos materiais, com as linhas de abastecimento e comunicação cortadas, população desabrigada e esfomeada, milhões de mortos, a maioria das cidades destruídas e, duas delas, devastadas pela explosão de bombas atômicas.

Na tarde daquele dia, a Rádio Nacional Japonesa transmitiu uma mensagem do imperador Hirohito anunciando a rendição incondicional do país. Era o fim da 2.ª Guerra, conflito que matou cerca de 50 milhões de pessoas - quase 2 milhões apenas no Japão.

Decisão difícil. "Depois de ter ponderado profundamente sobre o rumo geral que o mundo ia tomando e sobre as reais condições que estavam se formando em nosso Império, decidimos hoje resolver a situação presente recorrendo para tanto a esta medida extraordinária: nós, o imperador, ordenamos ao nosso governo que comunicasse aos governos dos EUA, Grã-Bretanha e União Soviética que aceitamos os termos de sua declaração conjunta", declarou Hirohito.

Contrariando o espírito militarista de seus generais, Hirohito, chefe do Império do Sol Nascente, que anos antes proclamara com orgulho os seus 26 séculos de invencibilidade, tomara a mais difícil de todas as decisões, que implicava inclusive a perda de todo o poder real. Foi uma decisão contestada.

Gabinete dividido. Desde o começo do mês, o gabinete imperial estava dividido entre os que defendiam a paz imediata e os que queriam a continuação da guerra, acreditando que só a resistência faria com que o Japão conseguisse dos aliados termos de paz mais favoráveis.

Com a transmissão da mensagem do imperador, tudo indicava que a rendição se processaria por etapas, pois, naquele momento, havia batalhões japoneses ainda não derrotados em diversos pontos da Ásia. Foi o que ocorreu. A rendição oficial só foi decretada em 13 de setembro de 1945.

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