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Japão suspende contratatação de brasileiros para limpar lixo tóxico de Fukushima

Riscos à sáude fizeram embaixada brasileira intervir no recrutamento, antes restrito a japoneses.

Ewerthon Tobace, BBC

06 de junho de 2012 | 14h06

TÓQUIO - A contratação de brasileiros para a perigosa tarefa de retirar lixo e entulho contaminado no entorno da usina nuclear de Fukushima, no Japão, foi cancelada após intervenção da Embaixada do Brasil em Tóquio.

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A polêmica oferta de emprego, que chamou a atenção pelo alto salário oferecido - cerca de R$ 22 mil reais por mês, por duas horas de trabalho máximo por dia -, fez com que a embaixada entrasse em contato com a empresa de recrutamento, localizada em Osaka, para comunicar a insatisfação do governo brasileiro.

"O presidente dessa empreiteira, ante a repercussão tão negativa, disse que havia rescindido o contrato com o empregador final e que, portanto, nenhum brasileiro será contratado para trabalhar na usina nuclear de Fukushima", disse Batalha.

Os brasileiros seriam os primeiros estrangeiros a retirar o entulho e lixo tóxico da usina, atingida pelo terremoto e tsunami em 11 de março do ano passado. Até agora, somente japoneses estavam autorizados a fazer o serviço.

O diplomata contou que fez o contato por telefone e explicou ao presidente da empreiteira que a embaixada brasileira iria acompanhar o tema com preocupação e que tomaria as medidas necessárias para garantir a preservação da saúde dos brasileiros.

Segundo Batalha, o recrutamento preocupa "por tratar-se de zona de risco, em usina nuclear que sofreu grave acidente no ano passado".

O próprio empresário disse ao diplomata que sua empresa teria recebido diversos telefonemas, tanto de brasileiros como de japoneses, expressando semelhante preocupação.

Trabalho perigoso

De acordo com informações divulgadas pela própria empreiteira, 20 pessoas seriam recrutadas para o serviço.

Centenas de pessoas, no entanto, teriam se cadastrado para o emprego, após a publicação do anúncio em um jornal em português que circula na comunidade brasileira.

A oferta era de 30 mil ienes por dia, o que equivale a cerca de R$ 750. Por medida de segurança, os trabalhadores só podem ficar na área de 20 quilômetros em volta da usina por apenas duas horas diárias.

O trabalho, perigoso, requer roupa especial e autorização do governo. Os trabalhadores selecionados devem, ainda, passar por uma rígida avaliação de saúde.

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