Japão tenta controlar reatores de complexo nuclear

Duas unidades do complexo nuclear atingido pelo terremoto e o tsunami no Japão foram resfriadas hoje, embora a pressão tenha subido inesperadamente no reator de uma terceira unidade, enquanto sinais de radiação eram encontrados em mais alimentos, abalando a confiança da população.

AP, Agência Estado

20 de março de 2011 | 15h09

O aumento da pressão significa que os operadores do reator podem ter de deliberadamente liberar vapor radioativo, prolongando a crise nuclear que consumiu a atenção do governo enquanto este tentava responder à catástrofe que atingiu o país no último dia 11.

Num raro resgate após tantos dias, os gritos de um garoto ajudaram a polícia a localizá-lo, juntamente com uma senhora de 80 anos, sob os escombros de uma casa.

Fora da área do desastre, cresce a incerteza sobre a segurança dos alimentos e da água. O governo ordenou que fossem paralisados os embarques de espinafre de uma área e de leite de outra área perto da usina nuclear depois que os testes encontraram iodo radiativo superando os limites de segurança.

Mas a contaminação do espinafre se espalhou para três outras cidades. Os sinais de radiação também foram encontrados em outras verduras: folhas de crisântemo e canola. A água de torneira em Tóquio, onde o iodo foi encontrado na sexta-feira, agora tem césio. A chuva e a poeira também contêm radiação.

Em todos os casos, o governo disse que os níveis de radiação são muito pequenos para representarem um risco imediato à saúde. Mesmo assim, Taiwan confiscou um lote de favas do Japão com pequenos montantes - legais - de iodo e césio.

"Estou preocupada, realmente preocupada", disse Mayumi Mizutani, de 58 anos, moradora de Tóquio, que comprava água engarrafada num supermercado para dar ao neto de dois anos. "Estamos preocupados porque é possível que nossos netos tenham câncer", acrescentou.

Todas as seis unidades de reatores no complexo nuclear de Fukushima Daiichi enfrentaram problemas depois que os desastres danificaram seus sistemas de resfriamento. Num pequeno avanço, a operadora do complexo declarou que as unidades 5 e 6 - as menos problemáticas - estão sob controle depois que suas piscinas de resfriamento de combustível nuclear voltaram para níveis seguros. Foi feito progresso para reconectar duas outras unidades à rede elétrica e bombear água do mar para resfriar outro reator e completar as piscinas deste e do sexto reator.

Mas o aumento da pressão dentro do vaso de contenção do reator da unidade 3 provocou perigo, forçando as autoridades a considerarem a liberação de vapor. A tática produziu explosões de gás radiativo nos primeiros dias da crise.

Autoridades de segurança nuclear disseram que a operação pode liberar uma nuvem densa de iodo e elementos radiativos como criptônio e xenônio.

A operadora da usina, Tokyo Electric Power Co. (Tepco), suspendeu temporariamente os planos neste domingo após informar que a pressão dentro do reator parou de subir, embora continue num nível elevado. "Ele se estabilizou", disse o gerente da empresa Hikaru Kuroda.

Ele afirmou que as temperaturas dentro do reator atingiram 300 graus Celsius e que a opção de liberar o gás altamente radiativo continuará sendo considerada se a pressão voltar a aumentar. As informações são da Associated Press.

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