REUTERS/Toru Hanai
REUTERS/Toru Hanai

Japão terá porta-aviões pela primeira vez desde a 2ª Guerra

Governo investirá em torno de US$ 240 bilhões em Defesa em meio a ameaças da Coreia do Norte e movimentações marítimas da China

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2018 | 17h10

TÓQUIO - O Japão planeja ter seu primeiro porta-aviões desde a 2ª Guerra e aumentar os gastos em Defesa para 27 trilhões de ienes (US$ 240 bilhões) até 2024, cerca de 2 trilhões de ienes (US$ 17,6 bilhões) do que tem disponível atualmente, de acordo com diretrizes aprovadas nesta terça-feira, 18. O governo cita a necessidade de bloquear possíveis ameaças da Coreia do Norte, da China e outras vulnerabilidades.

O documento aprovado em um encontro no gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe pede para reaparelhar e transformar o atual porta-helicópteros existente, o Izumo, de 250 metros de comprimento (espaço para 14 helicópteros), em um navio que possa carregar aviões furtivos do modelo F-35B, feito nos Estados Unidos, e capaz de fazer curtas decolagens e pousos verticais. Tóquio pretende comprar 42 aeronaves desse modelo e construir um segundo porta-aviões.

O Japão tem relativamente pouco espaço terrestre para construir pistas longas o suficiente para o convencional F-35s, e um porta-aviões seria particularmente útil no lado oeste do Oceano Pacífico, onde o arquipélago tenta defender as ilhas mais remotas, incluindo aquelas em disputa com a China, e cumprir com um papel maior na aliança com os americanos.

O primeiro-ministro afirma que as diretrizes substituiriam o atual plano de Defesa japonês e serviria para expandir a participação militar na região, fazendo com que seja "um país normal”, nas palavras dele. Abe há muitos anos quer revisar a Constituição do Japão, redigida pelos EUA, que renuncia à guerra.

Histórico

O passo é uma grande mudança na defesa naval do Japão do pós-guerra, que não teve porta-aviões devido a preocupações sobre o papel do país nos tempos de batalhas marítimas. Críticos dizem que a construção do navio daria ao Japão a capacidade de violar a sua Constituição pacifista, que limita o uso das Forças Armadas apenas para autodefesa.

A China pediu ao Japão para que continue com a sua política pacifista de desenvolvimento e de autodefesa. “Devido a razões históricas, países vizinhos na Ásia e na comunidade internacional estão muito preocupados com os movimentos do Japão nas áreas militares e de segurança”, disse o Ministério das Relações Exteriores chinês em Pequim.

As autoridades de defesa dizem que o Japão precisa de mais dissuasão, mais defesa de mísseis e de mais aviões de combate, ao mesmo tempo em que os mísseis da Coreia do Norte e as ameaças nucleares de Pyongyang permanecem inalterados na ausência de passos concretos que os desmantelem. Além disso, a atividade marítima da China cresceu na região.

O documento desta terça-feira diz que o Japão precisa estar bem preparado e precisa mostrar que pode suportar ameaças, citando que o arquipélago está suscetível a desastres naturais e que a sua costa marítima possui usinas nucleares.

As diretrizes também pedem a criação de uma unidade especializada em espaço, ciberataques e guerra eletrônica, enquanto integra as forças marítimas e aérea para melhor coordenar as operações.

Enquanto o Japão enfrenta uma população em envelhecimento, o país aceitará que mais mulheres se juntem às Forças Armadas, adiem a idade de aposentadoria e promovam pesquisa e desenvolvimento em robótica e outros equipamentos, afirma o documento. / AP

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