Emilio Flores/The New York Times
Emilio Flores/The New York Times

Japonês cria primeiro gerador eólico capaz de desafiar tufões

Empresa espera começar a produção das máquinas antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020

O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 04h33

TÓQUIO - O Japão enfrenta todos os anos o impacto dos tufões, fenômeno natural que o engenheiro Atsushi Shimizu sonha em transformar em energia graças ao primeiro gerador eólico capaz de resistir a uma força tão destrutiva. 

Residente em Tóquio, ele desenvolveu uma máquina composta por um pilar central rodeado de três cilindros que aproveitam o chamado efeito Magnus. Como uma bola de futebol muda de direção ao se aproximar do gol pelo movimento de rotação dado pelo jogador no momento do chute, os cilindros permitem gerar uma força para acionar o gerador graças às correntes de ar e às variações de pressão. 

Ainda que já existam geradores similares, suas formas tradicionais, com lâminas, são vulneráveis a ventos superiores a 150 quilômetros por hora. 

Desde o acidente de Fukushima, em março de 2011, o Japão tem apostado sobretudo em energia solar para aumentar sua cota de energias renováveis. E ainda que o vento contribua com menos de 1% para a produção eletricidade, "a energia eólica tem maior potencial no Japão que a solar", acredita o inventor de 37 anos, que deixou seu trabalho para lançar sua startup em 2014. No Japão, os ventos e a abundância de terrenos montanhosos não são favoráveis aos geradores clássicos de três lâminas, comuns em outros países.

Alguns especialistas são céticos quanto à eficácia do invento. Além disso, como no caso de outras energias desse tipo, dependente da luz e das condições meteorológicas, um gerador deve estar associado a dispositivo de armazenamento e de regulação da corrente. Se fosse possível carregar baterias de grande capacidade durante um tufão para alimentar uma região depois, o interesse seria notável.

No verão passado, Atsushi Shimizu e sua equipe testaram com êxito um protótipo de potência mínima (1 quilowatt) que resistiu a ventos fortes no arquipélago de Okinawa. A pequena companhia espera começar a produção em série de máquinas de 10 kW antes dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Também sonha trabalhar no exterior, especialmente em Filipinas, Taiwan e Estados Unidos. "Se somos capazes de inventar um gerador eólico adpatado ao meio ambiente japonês, seremos capazes de construí-lo em uitos outros lugares do mundo com um clima simiar", disse. / AFP 

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