AFP PHOTO / TORU YAMANAKA
AFP PHOTO / TORU YAMANAKA

Japoneses lembram 71 anos de sua rendição incondicional na Segunda Guerra Mundial

Imperador Akihito destacou ‘profundos arrependimentos’ pelo passado guerreiro do Japão

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 11h48

TÓQUIO - O imperador Akihito destacou nesta segunda-feira, 15, os "profundos arrependimentos" pelo passado guerreiro do Japão, no aniversário de 71 anos da rendição incondicional do país, que colocou fim à Segunda Guerra Mundial.

"Ao olhar para nosso próprio passado e sentindo profundo arrependimento, desejo que nunca mais se repitam os estragos da guerra", disse o imperador, cujo pai, Hirohito, foi o encarregado de anunciar a rendição dias depois dos bombardeios atômicos contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Desde que ascendeu ao trono em 1989, Akihito personificou o Japão pacifista e respeitoso da Constituição de 1947, imposta pelos vencedores, na qual o imperador perdeu seu caráter divino.

Durante seu reinado, o imperador percorreu os países nos quais foram registradas atrocidades por parte das tropas imperiais japonesas de ocupação na Segunda Guerra para compartilhar sua dor com as populações afetadas.

Em 2015, Akihito expressou, pela primeira vez, o "profundo arrependimento" pelos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. A mensagem deste ano ocorreu dias depois de o soberano dar a entender que deseja uma modificação no quadro legal para lhe permitir abdicar em favor de seu filho, Narihito, e transferir a ele suas funções - apenas honorárias - como "símbolo da nação".

"Devemos agir para não repetir nunca mais os horrores da guerra. Devemos manter o compromisso firme de contribuir para a paz e a estabilidade", declarou o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, criticado pelos pacifistas por sua ambição de modificar a Constituição, cujo Artigo 9 estipula a renúncia do país à guerra como meio de solucionar as divergências internacionais.

As ministras do Interior e dos Jogos Olímpicos, assim como 70 parlamentares e outras personalidades, visitaram o santuário patriótico de Yasukuni, em Tóquio, em homenagem às vítimas do conflito, o que pode provocar novamente a revolta da China e da Coreia do Sul.

O local de culto sintoísta lembra os 2,5 milhões de mortos pelo país, entre eles 14 japoneses que os aliados condenaram como criminosos de guerra após o fim do conflito. A expansão militar do Japão entre 1910 e 1945 segue aumentando a tensão nas relações diplomáticas com seus vizinhos asiáticos.

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A presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, convocou nesta segunda-feira relações orientadas para o futuro entre seu país e o Japão. "Devemos redefinir as relações com o Japão para forjar laços orientados para o futuro", disse ela em um discurso televisionado em Seul.

Homenagem. Shinzo Abe fez uma oferenda ao polêmico santuário de Yasukuni e enviou uma árvore em comemoração à data. A última vez que foi a Yasukuni, em dezembro de 2013, ele despertou a ira de Seul, Pequim e inclusive Washington - aliado principal de Tóquio -, e recomendou evitar episódios similares no futuro para não aumentar as tensões diplomáticas na região.

Por enquanto, o vice-porta-voz do governo japonês, Koichi Hagiuda foi o único membro do Executivo a visitar o santuário na data histórica. O simbolismo do local é criticado por países como Coreia do Sul e China, que sofreram com o colonialismo japonês. / AFP e EFE

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