Japoneses seqüestrados chegam ao país natal

Cinco japoneses que foram seqüestrados e levados embora de seu país por espiões norte-coreanos ainda quando eram jovens, finalmente voltaram hoje para casa, num reencontro emocionado com seus pais pela primeira vez em 25 anos. A reunião marcou uma melhora importante nas relações entre o Japão e o regime enigmático da Coréia do Norte, que parece estar relaxando seu longo estado de beligerância em relação ao mundo exterior, em busca de ajuda econômica.Mas o retorno para casa de hoje - talvez o mais emocionante que este país já teve desde que seus soldados voltaram da Segunda Guerra - foi marcado pelas preocupações em relação ao futuro dos seqüestrados, e pelo horror em relação às mortes de outros oito. "Não posso expressar o quanto estou feliz em ver os rostos saudáveis de meus pais", afirmou Kaoru Hasuike, que era um estudante universitário quando foi seqüestrado, em 1978.Mas a situação delicada dos seqüestrados, todos atualmente com 40 anos ou mais, foi ressaltada numa entrevista coletiva horas depois da chegada deles num vôo charter de Pyongyang. Os cinco, que não tiveram autorização para trazer suas crianças e devem voltar para a Coréia do Norte após cerca de dez dias no Japão, usavam broches com a bandeira norte-coreana nas lapelas dos paletós, e deixaram o local da entrevista depois de dizer apenas algumas palavras cuidadosamente escolhidas."Desejava sinceramente ver minha família", disse Hitomi Soga cuja situação é particularmente delicada porque agora está casada com um desertor norte-americano. "Peço desculpas por vocês terem se preocupado comigo por tanto tempo", disse Yukiko Okudo, que foi seqüestrada com Hasuike após um encontro com ele numa biblioteca. Mais tarde eles se casaram na Coréia do Norte, onde tiveram um filho. Depois de encontrarem suas famílias e uma multidão de simpatizantes com bandeiras no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, onde foram recebidos com buquês de rosas vermelhas e cor de rosa, os japoneses recém-chegados pareciam cansados e um pouco desnorteados à medida que caminhavam de braços dados com seus familiares. Os cinco foram então levados para um hotel onde devem passar duas noites antes de irem para suas respectivas cidades. A programação deles no Japão terá caráter privado e seus parentes pediram para que lhes seja permitido passar livremente o tempo disponível no país. Os cinco são os únicos sobreviventes conhecidos de um grupo de 13 japoneses que a Coréia do Norte confirmou ter seqüestrado. As autoridades japonesas e agentes desertores norte-coreanos afirmaram que os seqüestrados costumavam ensinar a língua e a cultura japonesas para espiões comunistas. Grupos de apoio disseram que o número verdadeiro das vítimas pode chegar a 60.

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