Japoneses seqüestrados poderão visitar seu país

Depois de quase 25 anos, cinco japoneses seqüestrados por espiões da Coréia do Norte terão autorização para voltar ao Japão para uma breve visita na próxima semana, mas sem levar os próprios filhos, informaram hoje as autoridades norte-coreanas e parentes das vítimas.Os cinco estão entre pelo menos 13 japoneses que foram seqüestrados por agentes norte-coreanos nos anos 70 e 80 e levados para o país comunista para treinar seus espiões no idioma e na cultura japoneses. Acredita-se que eles sejam os únicos japoneses desse grupo a estarem vivos. Os cinco - dois homens e três mulheres entre 40 e 50 anos - terão autorização para retornar ao Japão na próxima terça-feira por um período de uma a duas semanas, mas não lhes será permitido levar consigo os filhos, afirmou Shoichi Nakagawa, diretor de um grupo de deputados que presta apoio às famílias dos seqüestrados. Depois de negar por anos, no dia 17 de setembro o líder norte-coreano Kim Jong Il admitiu, em reunião sem precedentes com o primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, que os japoneses foram efetivamente capturados por "elementos militares".Depois de serem transportados para a Coréia do Norte, os sobreviventes se casaram e diz-se que tenham filhos. As famílias de alguns deles ficaram indignadas de que eles não possam levá-los consigo na viagem ao Japão. "Eles deveriam voltar com toda a família. Deixar atrás os filhos - meus netos - é como deixar reféns", lamentou Tamotsu Chimura, pai de Yasuchi Chimura, seqüestrado em julho de 1978. Toru Hasuike, cujo irmão está entre os cinco sobreviventes, disse que os familiares das vítimas estão organizando os detalhes da visita. Ao concordar com a visita, o líder coreano Kim abriu o caminho para que o Japão e a Coréia do Norte dessem início a conversações para normalizar as relações diplomáticas. As duas partes devem se reunir nos dias 29 e 30 de outubro em Kuala Lumpur, Malásia, quando será dada prioridade para a situação dos seqüestrados, disse hoje o secretário do gabinete de governo japonês, Yasuo Fukuda.Mesmo que Koizumi tenha obtido uma vitória diplomática no encontro de setembro, pesquisas de opinião dão conta de que muitos japoneses consideram prematura a normalização das relações diplomáticas, antes que a questão dos seqüestros seja resolvida.

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