KIM KYUNG-HOON|REUTERS
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Japoneses vão às urnas hoje para eleger novo primeiro-ministro

Shinzo Abe, que concorre à reeleição, deve conquistar maioria suficiente para fazer alterações na constituição

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 06h22

TÓQUIO - Eleitores japoneses vão as urnas neste domingo para dar seu veredito a respeito das políticas do primeiro-ministro Shinzo Abe, que comanda o país desde o fim de 2012. Caso consiga se manter no poder em um terceiro mandato, Abe, de 63 anos, se tornará o mais longevo primeiro-ministro do país.

Projeções indicam que a coalizão liderada pelo Partido Liberal Democrata (PLD) pode conseguir  dois terços das cadeiras da Câmara, número que tornaria possível fazer alterações na constituição.

Uma de suas intenções declaradas é revisar a consituição pacifista de 1947, que obriga o país a renunciar totalmente à guerra. O artigo nono da constituição proíbe que o país mantenha forças armadas. Ainda assim, o Japão continuou possuindo tropas para autodefesa.

Desse modo, os apoiadores de Abe sustentam que ele apenas vai esclarecer algo que já é fato. Já os críticos temem uma nova expansão militar.

+Abe é favorito em eleições antecipadas no Japão

Nas últimas eleições, o Partido Liberal Democrata acabou vencendo, com 25% dos votos válidos — o que indica um índice baixo de participação do eleitorado.

Os principais temas da campanha de Abe foram a crise com a Coreia do Norte e o envelhecimento da população. Ele já demonstrou apoio ao presidente americano Donald Trump, que escolheu manter uma linha dura com Pyongyang, inclusive com ameaças de ações militares.

Trump deve fazer uma visita ao Japão entre os dias 5 e 7 de novembro, para estreitar laços. 

"A situação mundial não está estável em muitos aspectos, e  eu acredito que o PLD é o único partido confiável", disse Kyoko Ichida, de 78 anos, após votar em Tóquio. Durante a votação, o tufão Lan atingia diversas áreas do Japão com chuvas torrenciais, o que deve diminuir o comparecimento dos eleitores às urnas. 

A votação se encerra às 20h, no horário local.  Os resultados devem ser divulgados na manhã de segunda.

O PLD corria risco de ser derrotado pela oposição liderada pela atual governadora de Tóquio, Yuriko Koike. Cogita-se que ela possa um dia se tornar a primeira mulher a liderar o país. Seu partido conservador recém-criado, o Partido da Esperança, absorveu boa parte da oposição. 

Entretanto, Koike não está concorrendo a uma vaga na Câmara e seu partido não se posicionou a respeito de quem deve apoiar como primeiro-ministro.

Kazuo Takeguchi, de 71 anos, vendedor de artigos de pesca, disse que ficou decepcionado quando soube que ela não iria concorrer e acabou votando no partido comunista, em parte por conta de escândalos que abalaram a popularidade de Abe. "Quero que surja algum partido com força suficiente para derrotar o PLD".

O Partido da Democracia Constitucional do Japão está competindo com o partido de Koike para definir quem se tornará a maior legenda de oposição. /REUTERS

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