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'Jardineiro assassino' de Toronto pega prisão perpétua

Bruce McArthur, que confessou ter assassinado oito homossexuais, só poderá pedir liberdade condicional dentro de 25 anos, quando tiver completado 91 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 22h44

TORONTO - Bruce McArthur, que ficou conhecido como "jardineiro assassino" de Toronto, foi condenado nesta sexta-feira à prisão perpétua sem a possibilidade de obter liberdade condicional por pelo menos 25 anos pelo assassinato de oito homens entre 2010 e 2017.

O juiz encarregado do caso, John McMahon, tinha de decidir se McArthur, de 67 anos, poderia solicitar liberdade condicional em 25 anos ou em 50, como pedia a Promotoria.

As leis canadenses estipulam que o assassinato em primeiro grau representa automaticamente uma condenação à prisão perpétua sem a possibilidade de solicitar liberdade condicional em 25 anos.

Pelo fato de McArthur ter se declarado culpado de oito assassinatos em primeiro grau em 29 de janeiro, a questão que o juiz tinha de decidir era se aplicava as oito penas de forma consecutiva ou simultânea.

McMahon explicou que McArthur terá 91 anos quando puder solicitar liberdade condicional, por isso é pouco provável que consiga sair da prisão.

O assassino, um jardineiro de profissão, matou oito homens homossexuais de Toronto e ocultou os restos mortais das vítimas em suportes de vasos de grandes dimensões que armazenava na propriedade de um dos seus clientes.

McArthur foi detido em janeiro de 2018 após anos de rumores em Toronto sobre a presença de um assassino em série ao qual era atribuído o desaparecimento de vários homossexuais.

A comunidade gay de Toronto criticou duramente a polícia da cidade, que durante anos negou a existência de um assassino em série que estava atacando homossexuais.

O chefe de Polícia de Toronto, Mark Saunders, até mesmo negou que McArthur fosse um assassino em série responsável pelos desaparecimentos no mesmo dia em que o jardineiro foi detido.

A comunidade gay denunciou que a polícia só começou a investigar o caso a sério após o desaparecimento de Andrew Kinsman, de 49 anos, o único assassinado de raça branca.

As outras sete vítimas são de origem asiática e do Oriente Médio: Selim Esen, de 44 anos; Majeed Kayhan, de 58; Soroush Mahmudi, de 50; Dean Lisowick, de 47; Skandaraj Navaratnam, de 40; Abdulbasir Faizi, de 42, e Kirushnakumar Kanagaratnam, de 37.

A polícia ignorou McArthur inicialmente, apesar de o jardineiro ter sido condenado em 2001 por atacar a um garoto de programa com uma barra de metal.

Além disso, em 2016 McArthur foi interrogado depois que um homem o denunciou por ter tentado estrangulá-lo, mas a polícia decidiu não apresentar acusações contra o jardineiro.

Os porta-vozes da polícia disseram que continuarão analisando casos sem resolução de pessoas desaparecidas nas últimas décadas para verificar se há algum vínculo com McArthur. / EFE

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