Jatos israelenses atacam segurança palestina

Depois de uma pausa de dois dias, Israel retomou, nesta sexta-feira, ações militares contra alvos da segurança palestina, com um jato F-16 bombardeando na madrugada um complexo da polícia, ferindo 20 pessoas. Dois palestinos foram mortos a tiros por tropas israelenses na Cisjordânia.Apesar da violência, o enviado dos Estados Unidos Anthony Zinni promoveu uma reunião em Tel Aviv entre oficiais de segurança israelenses e palestinos, num esforço para conter a atual crise, provocada por ataques suicidas à bomba em Jerusalém e Haifa no fim de semana."A discussão foi construtiva e concentrada na segurança, especificamente passos práticos para combater o terror e a violência", afirmou num comunicado a Embaixada dos EUA.Um oficial de segurança israelense, que pediu para não ser identificado, considerou o encontro "bastante duro", dizendo que Israel exigiu que o líder palestino Yasser Arafat promova uma luta mais efetiva contra terroristas e impeça os disparos de morteiro contra vilas judaicas.Israel afirmou que suspenderá suas ações militares quando pararem os ataques, acrescentou a fonte. A reunião desta sexta não produziu qualquer acordo, mas Israel aceitou um pedido americano para que outro encontro seja realizado, provavelmente no domingo.Um oficial palestino, que não quis ser identificado, disse que seu lado reiterou sua visão de que os ataques israelenses e a proibição de entrada e saída de cidades nos territórios palestinos estão prejudicando os esforços para capturar terroristas.As conversações ocorreram horas depois de Israel encerrar dois dias de pausa em suas ações militares, com o objetivo, segundo os israelenses, de dar a Arafat uma chance para aprofundar sua repressão aos militantes islâmicos.Forças de Arafat afirmam ter prendido 180 militantes, desde que atacantes suicidas mataram 25 pessoas em Israel no último fim de semana. Mas o Estado judeu considera que os esforços são insuficientes, afirmando que a polícia palestina deteve apenas operadores de baixo escalão, deixando livres os cérebros das operações.Arafat disse ao Canal Um da tevê israelense que a polícia palestina, nas proximidades da cidade de Jenin, na Cisjordânia, prendeu 17 das 33 pessoas de uma lista de procurados entregue a ele por Zinni. "Se vocês quiserem vê-los, eu os levo", afirmou.Mesmo assim, o ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse, após o ataque da madrugada, que Arafat "precisa fazer mais". Ele afirmou à Rádio do Exército que Israel "enfrenta uma constante ameaça de terroristas que tentam entrar no país."As Forças Armadas israelenses afirmaram, num comunicado, que seu ataque aéreo atingiu "o aparato de segurança palestino que apóia e ajuda operações terroristas". Outro comunicado descreveu a instalação como uma fábrica de granadas de morteiro.No Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, médicos tratavam pelo menos 20 feridos - 18 policiais e dois civis -, no ataque, ocorrido às 3 horas da madrugada, contra dois prédios do quartel-general da polícia palestina na Cidade de Gaza.Os dois prédios foram completamente destruídos. Um era um dormitório, e o outro um conjunto de escritórios. Eles haviam sido evacuados porque oficiais esperavam um ataque israelense.Nova violência foi registrada nesta tarde, quando tropas israelenses, nas proximidades da vila de a-Dik, na Cisjordânia, mataram a tiros dois palestinos. Um porta-voz do Exército disse que eles planejavam promover um ataque numa rodovia, nas proximidades do assentamento judeu de Ariel.Também nesta sexta, militares israelenses afirmaram que soldados detiveram seis palestinos suspeitos em uma área próxima a Jenin, na Cisjordânia, e um outro em Gaza.Palestinos disseram que forças israelenses entraram em duas vilas da Cisjordânia e detiveram ativistas do Hamas e da Frente Democrática para a Libertação da Palestina.Na Cidade de Gaza, centenas de pessoas participaram do funeral de um membro do Hamas morto nesta quinta-feira, durante violento protesto contra a decisão de Arafat de decretar a prisão domiciliar do líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin.

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