Philippe Wojazer / Reuters
Philippe Wojazer / Reuters

Jean-Marie Le Pen diz que criará novo partido na França

Segundo ele, a nova legenda será integrada por todos os indignados com a Frente Nacional, do qual foi um dos fundadores, mas foi suspenso no dia 4

O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 15h59

PARIS - O fundador do partido ultradireitista francês Frente Nacional (FN), do qual foi recentemente afastado, Jean-Marie Le Pen, anunciou nesta segunda-feira, 11, que planeja criar "uma legenda" que sirva de "paraquedas contra o desastre", mas que não concorrerá com a que formou em 1972. 

"Não vou criar outro partido. Vou criar um partido que não será concorrente da FN. Será uma espécie de paraquedas contra o desastre", declarou em entrevista à emissora Radio Courtoisie.

Leia Também

ALIÁS: Os bufões

ALIÁS: Os bufões

Le Pen declarou que essa legenda integrará "todos os indignados" com a linha política da FN, "que são vários", e espera que ela contribua para restabelecer a ideologia seguida por esse partido "há décadas".


O líder histórico da extrema direita francesa, que foi suspenso de militância no FN no dia 4 em resposta a seus recentes comentários, ressaltou que continuará lutando "enquanto tiver força" e disse estar "triste" pela batalha interna desencadeada nesse partido, dirigido por sua filha, Marine Le Pen.

"É preciso restabelecer no movimento uma verdadeira democracia", disse Le Pen, que insistiu que devem ser corrigidos os "erros" cometidos em seu próprio campo, mas incentivou as pessoas a votar na FN.

A punição decretada pelo órgão executivo da FN, a principal instância de direção, se deve aos comentários de Le Pen, em entrevista à revista ultradireitista Rivarol, de que as câmaras de gás utilizadas pelo regime nazista na Alemanha para assassinar judeus são um "detalhe" da história e o general Henri-Philippe Petain, colaborador do nazismo, "não foi um traidor".

A poucos meses das eleições regionais no país, nas quais a Frente Nacional espera obter grandes resultados, a atual presidente da legenda, Marine le Pen, enfrentou a maior crise interna do partido em sua história, na qual o fundador disse ter sido "desautorizado".

"Acho que Marine tem grandes valores, grandes qualidades", admitiu hoje Le Pen, que apesar de tudo não escondeu em suas declarações as críticas à  filha, que assumiu as rédeas do partido em janeiro de 2011.

Se a atual presidente "recuperar o caminho da liberdade de pensamento, e se for capaz de tomar outras responsabilidades que as sugeridas por maus conselheiros, acho que tudo é possível", disse ele em referência às eleições presidenciais de 2017, para as quais apelou que "o campo nacional esteja unido" em sua batalha contra socialistas e conservadores. / EFE

 

Tudo o que sabemos sobre:
FrançaJean-Marie Le PenMarie Le Pen

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.