Stephen Crowley / NYT
Stephen Crowley / NYT

Jeb Bush começa corrida pela Casa Branca

Na eleição de 2016, ex-governador da Flórida poderá ser terceiro da família a concorrer à a presidência dos Estados Unidos

Cláudia Trevisan, de Washington / Correspondente, O Estado de S. Paulo

16 de dezembro de 2014 | 20h06

Representantes de uma das mais proeminentes linhagens políticas americanas, o ex-governador da Flórida Jeb Bush anunciou ontem que decidiu “explorar ativamente” a possibilidade de se candidatar à presidência dos Estados Unidos em 2016 pelo Partido Republicano.

Se levar adiante seus planos, Bush terá de vencer as primárias de seu partido, nas quais os votantes são mais conservadores que o eleitor médio e poderão considerá-lo muito liberal, principalmente em relação à imigração. Casado com uma mexicana, o filho de George H.W. Bush fala espanhol e é favorável a uma reforma do sistema de imigração que abra caminho à obtenção de cidadania pelos milhões que vivem sem documentos no país.


Mas ele deve ser ajudado pelo fato de que seu sobrenome é associado ao poder dentro do Partido Republicano. A última vez em que a legenda chegou à Casa Branca sem ter um Bush na chapa presidencial foi 1972, com a eleição de Richard Nixon. Bush pai foi vice de Ronald Reagan de 1981 a 1989 e o substituiu na presidência, por apenas um mandato. O irmão de Jeb, George W. Bush, venceu a eleição em 2001 e ficou na Casa Branca por oito anos, até a eleição de Barack Obama.

Caso Bush seja o escolhido, é provável que ele enfrente a representante de outra linhagem política do lado democrata: Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, que governou entre os dois Georges.

Jeb Bush fez o anúncio em uma nota no Facebook e no Twitter, na qual disse ter discutido o assunto com sua família no feriado de Ação de Graças. Segundo ele, além de comer e assistir futebol americano, a família “conversou muito” sobre o futuro da nação. “Como resultado dessas conversas e reflexão cuidadosa sobre o tipo de forte liderança que a América precisa, eu decidi explorar ativamente a possibilidade de me candidatar a presidente dos Estados Unidos”, escreveu.

Enquanto o Partido Democrata tem uma óbvia e forte candidata em Clinton, os republicanos estão atomizados em vários potenciais nomes, como o governador de Nova Jersey, Chris Christie, o senador de Kentucky Rand Paul, o ultraconservador texano Ted Cruz e Mitt Romney, derrotado por Barack Obama em 2008. Doadores de campanha pressionam a legenda para reduzir o número aspirantes à Casa Branca, para que canalizem seus recursos com mais eficiência.

Além de aumentar suas credenciais, o sobrenome Bush também funcionará como uma sombra sobre Jeb, que certamente será confrontado pela herança da guerra ao terror promovida por seu irmão e o estouro da maior crise econômica dos últimos 70 anos na gestão de seu pai. A imagem de George filho ficou ainda mais desgastada depois da divulgação de relatório do Comitê de Inteligência do Senado segundo o qual a CIA torturou suspeitos de terrorismo durante sua gestão.

O ex-governador da Flórida também terá de responder perguntas sobre seus negócios. Reportagem publicada pela Bloomberg na semana passada mostrou que Jeb Bush é o presidente e administrador de um fundo de investimentos offshore estruturado de maneira a evitar o pagamento de impostos nos EUA.

 

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