REUTERS/Mike Segar
REUTERS/Mike Segar

Jeb Bush luta para manter esperança

Com mau desempenho em prévia de Iowa, pré-candidato republicano antes visto como favorito apela para argumento da experiência

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / NEW HAMPSHIRE, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2016 | 02h00

Com números muito próximos nas pesquisas de opinião, os “governadores” que disputam a candidatura à presidência pelo Partido Republicano atacaram nesta quarta-feira a falta de experiência dos três líderes da corrida e afirmaram que celebridade e bons discursos não serão suficientes para derrotar os democratas em novembro e comandar a maior força militar do mundo.

O combate na legenda é dominado por um bilionário que nunca ocupou um cargo eletivo e dois senadores em primeiro mandato sem passagem pelo Executivo. Na terceira faixa, abaixo do cirurgião Ben Carson, estão o ex-governador da Flórida Jeb Bush e os governadores de New Jersey, Chris Christie, e de Ohio, John Kasich.

Sob pressão para terem um bom resultado nas primárias de New Hampshire, na terça-feira, Bush e Christie fizeram um paralelo entre a situação atual e a eleição de Barack Obama, que há sete anos era um senador em seu primeiro mandato.

“Eu não votei em Obama, mas reconheço que ele tem dois talentos: um grande sorriso e a oratória, mas isso não é o que faz um presidente”, disse o governador de New Jersey durante encontro com eleitores em um condomínio em Bow.

Obama é extremamente impopular entre os republicanos e a comparação é uma tentativa de minar a posição dos senadores Ted Cruz e Marco Rubio, que terminaram em primeiro e terceiro lugar, respectivamente, nas prévias realizadas em Iowa na segunda-feira. Apontado como vencedor nas pesquisas de opinião, Donald Trump terminou em segundo lugar.

Na terça-feira, os candidatos dos dois partidos iniciaram uma maratona de encontros diretos com eleitores em New Hampshire. Trump destoa do estilo de campanha no Estado e prefere grandes eventos.

A seis dias das primárias, muitos continuam indecisos e vão a encontros com diferentes candidatos na tentativa de fazer uma escolha. Dentro do partido, Bush é um dos que mais precisam de um bom resultado em New Hampshire para mostrar que pode se manter na disputa. Ontem, ele pediu a eleitores que “zerem” a corrida e votem em seu nome na terça-feira.

Em uma disputa liderada por dois “insurgentes” – Trump e Cruz –, o ex-governador da Flórida enfatizou sua experiência administrativa e afirmou que sua história pessoal transcende a da linhagem política que representa. “Sou um Bush”, disse o filho e irmão de ex-presidentes. “Sou parte do establishment porque sou um Bush”, reconheceu.

“Mas também tenho uma vida”, declarou a cerca de 300 eleitores reunidos em uma universidade de New London, cidade de 4.400 habitantes. A reação ao poder estabelecido e à política tradicional é o principal motor da atual campanha dos EUA, que dizimou a liderança que Bush demonstrava quando lançou seu nome, em junho.

Bush falou de como seu casamento com a mexicana Columba mudou sua vida, há 42 anos, e discorreu sobre seus oito anos à frente do governo da Flórida. Segundo ele, os EUA estão hoje mais inseguros do que quando Obama chegou ao poder e correm o risco de ficar em situação pior sem líderes experientes.

Mesmo depois do encontro, a estudante Sarah DeArruda, de 19 anos, continuava sem saber se votará em Bush ou no democrata Bernie Sanders, um ex-socialista que está no extremo oposto do espectro político. “Sei que os dois são diferentes, mas para mim o que importa é o caráter da pessoa. É o temperamento que definirá a reação que ela terá a uma situação difícil.”

Tudo o que sabemos sobre:
Jeb BushNew Hampshirecampanhaprévia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.