''Jeitinho russo'' assedia oposição

Grupos críticos ao governo têm PCs tomados para verificação da autenticidade de softwares

, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

O grupo ambientalista Baikal Environmental Wave organizava um protesto contra a reabertura de uma fábrica de papel nas proximidades do Lago Baikal, ao sul da Rússia, quando teve o escritório invadido por autoridades russas, em janeiro. O objetivo da investigação, no entanto, nada tinha que ver com as manifestações, mas com supostos softwares piratas da Microsoft.

Na Rússia, dezenas de entidades da sociedade civil e jornais de oposição foram invadidos sob o mesmo pretexto nos últimos anos. Funcionários dizem que as investigações são reflexo de preocupação quanto à pirataria de softwares, um problema grave na Rússia - ainda que raramente sejam investigadas organizações pró-governo.

Contra esse tipo de ação da polícia, a Baikal Wave disse ter comprado e instalado softwares legais da Microsoft em seus computadores. Mesmo mostrando aos policiais recibos e pacotes originais, eles tiveram 12 computadores confiscados, devolvidos somente cinco meses depois, em julho.

"A polícia tinha um objetivo: impedir nosso trabalho", disse Galina Kulebyakina, co-presidente da Baikal Wave. O Lago Baikal, o mais profundo do mundo, concentra 20% de água doce do planeta.

Fechada em 2008, uma fábrica estatal despejou cloro, metais pesados como mercúrio e outros poluentes no lago enquanto funcionou. Sob o protesto da Baikal Wave, o primeiro-ministro Vladimir Putin a reabriu em janeiro.

Fins políticos. A Baikal Wave enviou cópias de recibos à Microsoft para que sua autenticidade fosse confirmada, o que não aconteceu. O advogado-chefe antipirataria da Microsoft em Moscou, Alexander Strakh, disse que a empresa apoia as autoridades locais quando estão de acordo com as leis russas. "Desconhecemos qualquer decisão do governo para que as investigações sejam usadas para fins políticos", disse. / NYT

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