Jerusalém celebra a Páscoa judaica e a Quinta-Feira Santa

A Páscoa judaica ("Pessach") e a Quinta-Feira Santa são celebradas hoje ao mesmo tempo em Jerusalém, pois este ano a Semana Santa cristã coincide com a festividade israelita. Na Quinta-Feira Santa é lembrada justamente a Última Ceia, na qual Jesus Cristo instituiu a Eucaristia durante a celebração da primeira noite da Páscoa judaica, na qual os judeus lembram com a comida, como o pão ázimo e o vinho, a libertação de seus antepassados da escravidão no Egito. O pão ázimo - feito sem fermento devido à pressa para fugir da terra dos faraós - e o vinho foram utilizados por Jesus Cristo para instituir a Eucaristia. Como nos últimos anos, as forças de segurança israelenses se encontram em estado de alerta máxima para evitar atentados suicidas como o que deixou 29 mortos e 159 feridos em Netânia na primeira noite da Páscoa judaica de 2002. Milhares de policiais, guardas de fronteiras e membros da guarda de civis voluntários vigiam hoje os centros das cidades, as estradas e os locais de lazer e de turismo, aonde devem ir centenas de milhares de judeus, que na noite da quarta-feira reuniram-se com suas famílias no jantar da primeira noite da festividade da Páscoa. Na cidade antiga de Jerusalém, os peregrinos cristãos que seguirem para o Cenáculo para a cerimônia da Última Ceia se encontrarão com os judeus que forem rezar diante do Muro das Lamentações, que fica perto do local onde Jesus estabeleceu a Eucaristia. A Polícia israelense impediu na quarta-feira a entrada de um grupo de judeus ultra-ortodoxos ao Monte Moriá, onde ficavam os templos judaicos e hoje se localizam as mesquitas do Domo da Rocha e de Al-Aqsa. Eles queriam sacrificar um cordeiro no local. De acordo com a polícia israelense, foram recebidas 78 notificações de possíveis atentados, 16 delas precisas. Na noite da última quarta-feira, um tanque do exército israelense matou dois palestinos armados que tentavam atravessar a fronteira da Faixa de Gaza com o território de Israel. As passagens do território israelense com a Cisjordânia e a Faixa de Gaza permanecem fechadas hoje, e a polícia de fronteiras estabeleceu uma faixa de isolamento adicional nas regiões limítrofes, inclusive na periferia de Jerusalém. Entretanto, cerca de 500 palestinos cristãos receberam autorização especial para transitar entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza durante a Semana Santa. Os ritos cristãos começaram na manhã desta quinta-feira com a cerimônia de lava-pés no Santo Sepulcro, celebrada pelo patriarca latino de Jerusalém, monsenhor Michel Sabah. A cerimônia de lava-pés lembra o ato em que Jesus, como sinal de humildade, lavou os pés de seus discípulos durante a Última Ceia. Como relata o Evangelho de João, Ele lhes disse: "Se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros" (Jo, 13:14). Em sua mensagem de Páscoa, divulgada na terça-feira, o monsenhor Sabah pediu o desenvolvimento de "uma nova visão da Terra Santa" para renovar a fé em Deus e a confiança nos homens, e assim "superar as barreiras confessionais e nacionais" e chegar a uma paz que agora parece "um projeto impossível". Calcula-se que cerca de 15.000 cristãos tenham ido a Jerusalém para participar das celebrações da Semana Santa na cidade sagrada para as três grandes religiões monoteístas do mundo.

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