Jerusalém pára construção de passarela em local sagrado

Escavações geraram protestos entre muçulmanos, que temiam danos a templo

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h27

Os planos para a construção de uma nova passarela levando ao ponto mais sagrado de Jerusalém foram descartados devido aos temores de que as obras poderiam danificar as ruínas arqueológicas, informaram autoridades israelenses citadas pela BBC nesta terça-feira. Com a decisão, as controversas escavações que começaram a ser realizadas próximas à Esplanada das Mesquitas, ou Templo do Monte, em Jerusalém Oriental, também foram canceladas. Agora, a prefeitura da cidade irá considerar outras alternativas, como a construção de uma ponte menor. As escavações iniciais levaram a violentos protestos entre os muçulmanos da cidade, que temiam que o local fosse danificado. Os incidentes aumentaram ainda mais as tensões entre israelenses e palestinos na cidade. Em 1996, os trabalhos para a abertura de um túnel próximo ao complexo resultaram em confrontos que deixaram 80 pessoas mortas. A segunda intifada palestina, iniciada em 2000, começou depois que o então líder oposicionista israelense Ariel Sharon realizou uma visita ao local, que é sagrado para muçulmanos e judeus. Israel permite que autoridades religiosas muçulmanas administrem a Esplanada das Mesquitas, mas restringe a entrada no local sob a alegação de razões de segurança. O acesso ao complexo podia ser feito através de uma passarela ou por meio de uma colina de terra. No ano passado, a colina desmoronou depois de uma tempestade, e uma estrutura de madeira temporária foi colocada no local. Os planos para a construção de uma passarela mais robusta implicariam na remoção dos restos da colina para a construção de fundações mais seguras. No entanto, autoridades muçulmanas e arqueólogos se opuseram às escavações, argumentando que elas poderiam ameaçar os restos arqueológicos e danificar as fundações do complexo. Em maio, a Unesco pediu um cancelamento imediato dos trabalhos e a criação de um novo plano. Após as críticas, o prefeito de Jerusalém, Uri Lupolianski, decidiu pedir que comissões locais e regionais criassem soluções alternativas ao problema.

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