Jerusalém vive 'dia de fúria' com distúrbios

Mais de cem ficam feridos em protestos em série contra reconstrução de sinagoga

NYT e Reuters, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

JERUSALÉM

Palestinos e israelenses tiveram ontem o dia mais violento em meses, com distúrbios em vários pontos de Jerusalém Oriental duramente reprimidos. Centenas de palestinos protestaram contra a reconstrução de uma sinagoga, atirando pedras e queimando pneus, e foram reprimidos por forças israelenses. Mais de cem teriam ficado feridos.

As manifestações do chamado "dia de fúria" haviam sido convocadas pelo Hamas e ganharam apoio de autoridades do Fatah, em uma clara tentativa dos grupos palestinos de chamar atenção da comunidade internacional para a definitiva anexação israelense de territórios ocupados. A Autoridade Palestina (AP) reivindica Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado. A região, entretanto, também abriga locais sagrados para o judaísmo, o que faz a direita israelense se recusar a abrir mão do território.

Mais de 60 palestinos foram presos nos distúrbios e 15 policiais israelenses foram feridos - um deles por disparo de arma de fogo. Palestinos receberam auxílio médico após terem inalado gás lacrimogêneo. Dois manifestantes levaram tiros de borracha no rosto.

Israel atenuou as declarações de que os confrontos ameaçam dar início a uma terceira intifada, semelhante aos levantes palestinos iniciados em 1987 e 2000. Temendo o "dia de fúria", porém, a polícia israelense havia sido mobilizada antecipadamente. Há mais de uma semana 3 mil integrantes das forças de segurança de Israel ocupam partes estratégicas de Jerusalém Oriental.

Sob pressão do mal-estar com os EUA, autoridades israelenses vieram a público justificar a reabertura da sinagoga.

"O que estão pedindo é que judeus não tenham permissão para construir em Jerusalém Oriental", disse o chanceler Avigdor Lieberman, que boicotou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois que o brasileiro se esquivou de uma visita ao túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl. "Não podemos proibir apenas judeus de construir em um determinado local da cidade. Você pode imaginar se dissessem a judeus em Nova York que eles não podem construir ou comprar (imóveis) no (bairro do) Queens?"

Extremistas dos dois lados utilizaram a reabertura da sinagoga como pretexto para inflamar paixões. Judeus radicais afirmam que a medida abre caminho para reconstruir o terceiro templo. Muçulmanos fundamentalistas dizem que "infiéis" não podem ter acesso ao local, sagrado para o Islã.

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