Jihad seguirá "até a vitória final", diz porta-voz de Bin Laden

A Jihad (guerra santa islâmica) contra os EUA continuará "até a vitória final", prometeu nesta terça-feira o porta-voz de Osama bin Laden, Suleiman Abu Ghaith, através das páginas de um jornal do Kuwait. "A Jihad prosseguirá mesmo que Bin Laden morra... Cada vez que um Osama morre, outro Osama recolhe sua bandeira", disse Abu Ghaith ao jornal al-Watan, que o entrevistou através de um intermediário em um local não identificado do Afeganistão que ainda está sob controle dos talebans."Meu pedido é dirigido à nossa nação islâmica, à qual digo que os acontecimentos de 11 de setembro dividiram o mundo em duas partes: por isso lhes digo, irmãos muçulmanos, não permitam que o demônio os atraia com o engodo e os bloqueie", manifestou Abu Ghaith. Em 14 de outubro passado o governo do Kuwait aprovou um decreto para revogar, "em alinhamento com os interesses nacionais", a nacionalidade kuwaitiana de Abu Ghaith. Com 36 anos e pai de seis filhos, Abu Ghaith, que obteve a cidadania afegã, não pareceu surpreender-se com a decisão, e através da rede Al-Jazeera de televisão fez ameaças a "Bush pai, Bush filho, Clinton, Blair e Sharon, que estão à frente dos criminosos sionistas e dos cruzados, culpados dos piores crimes contrra milhões de muçulmanos". Acrescentou então que o sangue derramado de "homens, mulheres e crianças inocentes não foi em vão: nós os vingaremos". Ex-docente em escolas do Corão, as madrassas, Abu Ghaith ganhou fama e popularidade no Kuwait durante a ocupação iraquiana (1990-1991), quando das mesquitas incitava os fiéis a atacar Bagdá. Ele era então membro da Irmandade Muçulmana, um dos grupos históricos do fundamentalismo islâmico. Terminada a guerra, foi afastado de suas funções de pregador ao começar a atacar a nova Constituição e o governo do Kuwait. Após o início da guerra no Afeganistão, Abu Ghaith foi visto várias vezes nas telas da Al-Jazeera lançando ameaças e advertências, sobretudo contra os EUA. "A tempestade não se acalmará, especialmente a tormenta dos aviões, enquanto os EUA não se retirarem do Afeganistão", disse. Também elogiou "os jovens que destruíram os EUA e que lançaram a tempestade dos aviões" ao "levarem a batalha ao coração" do país. Na segunda-feira, o diário kuwaitiano al-Qabas publicou que Abu Ghaith havia sido "gravemente ferido", ou talvez mortalmente ferido, durante um bombardeio sobre Kandahar, o último bastião do regime taleban no Afeganistão. A entrevista publicada hoje parece desmentir essa informação, além de lançar uma mensagem ao Kuwait por ter-lhe tirado a cidadania: "Não renunciarei à minha guerra santa em nome de Deus e da vitória de sua religião, mesmo que mil cidadanias kuwaitianas me fossem tiradas, uma a cada dia".Leia o especial

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