Jihadista francês é identificado em vídeo do EI com morte de Kassig

França afirma que jovem de 22 anos era acompanhado pelos serviços secretos desde que foi para a Síria, em 2013

O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 10h43

PARIS - A França confirmou nesta segunda-feira, 17, que um jovem francês de 22 anos, identificado como Maxime Hauchard, fazia parte do comando do Estado Islâmico (EI) e aparece no vídeo sobre a decapitação do refém americano Peter Kassig e outros soldados sírios.

Segundo o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, os serviços secretos franceses (DCRI) estabeleceram que "há uma forte presunção" de que um dos executores seja Hauchard, procedente de uma cidade do departamento de Eure, em Normandia, noroeste da França.

Cazeneuve explicou que o jovem convertido ao Islã era alvo de acompanhamento por parte dos serviços secretos e tinha ido à Síria em agosto de 2013. Um ano antes, ele havia estado na Mauritânia. Em agosto deste ano, o jovem deu uma entrevista via Skype à rede de televisão francesa BFM TV desde a cidade síria de Raqqah e falou do seu desejo de "morrer como um mártir".

O ministro francês ressaltou que as autoridades judiciais devem "tirar as conclusões" a partir dos elementos apresentados pela polícia. Segudno a BFM TV, a justiça havia aberto em 20 de agosto um procedimento por terrorismo.

"A França, junto com seus parceiros europeus e internacionais, prossegue sem descanso e com determinação sua luta contra as ações terroristas", afirmou Cazeneuve, se referindo à participação militar na operação internacional contra o EI no Iraque e ao seu próprio território com uma nova legislação.

Na sexta-feira, foi publicada uma lei contra o terrorismo que, lembrou o ministro, "reforça o dispositivo tanto preventivo como repressivo". Entre outros pontos, prevê a retirada do passaporte de pessoas suscetíveis a viajar para o exterior para se integrar a grupos jihadistas.

Até agora, autoridades francesas abriram diversos procedimentos contra jihadistas franceses e deteve 138 pessoas, das quais 90 foram acusadas e 65 presas.

Cazeneuve deixou uma mensagem a seus "compatriotas, e em particular aos mais jovens, que são alvo principal da propaganda terrorista, para que abram os olhos à terrível realidade das ações do EI". "Esses predicadores do ódio devem ser vistos como o que são, criminosos."

O presidente francês, François Hollande, classificou no domingo como "crimes contra a humanidade" as decapitações do vídeo divulgado pelo EI. /EFE

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