LAURENT DUBRULE|EFE
LAURENT DUBRULE|EFE

Jihadistas ameaçam líder islâmico

Grupo teria emitido um decreto sentenciando à morte o imã da mesquita Al-Nour, no subúrbio parisiense de onde saiu um dos terroristas

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2015 | 22h25

O líder religioso Hassen Chalghoumi, da mesquita de Drancy, subúrbio de Paris, está sob proteção policial por supostamente ter sido condenado à morte por uma “fatwa” – decreto muçulmano – do Estado Islâmico (EI). Clérigo na cidade de onde o terrorista Samy Amimour partiu para se juntar ao EI – e considerado radical nos anos 2000 –, Chalghoumi tornou-se defensor de um “islã francês” moderado, condenando o extremismo.

Chalghoumi é presidente da Conferência dos Imãs da França, entidade criada para tentar congregar líderes religiosos moderados, com o intuito de reforçar o discurso de tolerância. No domingo, ele esteve entre os imãs que compareceram à casa de shows Bataclan, onde participaram de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do terrorismo.

Na oportunidade, o líder voltou a defender a substituição de imãs estrangeiros na França por clérigos franceses, que seriam considerados mais moderados do que os formados em países como Arábia Saudita, no Egito ou no Norte da África. Segundo Chalghoumi, essa seria uma das fontes de proselitismo religioso e pregação do jihadismo, princípio que, desvirtuado de seu sentido original, acaba justificando entre militantes extremistas a realização de atentados terroristas.

Nos últimos dias, o imã vive com uma guarda reforçada, em razão das “ameaças reais” que diz receber. “Recebi uma ‘fatwa’ do EI lançada por jovens franceses”, afirma. “Seu objetivo é estimular o medo e desencorajar todas as pessoas que tentam dizer a realidade, mas essa minoria não vai jogar fora o futuro da humanidade, nem nos fazer recuar.” Segundo o imã, há razões para preocupação porque as ameaças de morte teriam se multiplicado neste ano.

Vida pregressa. O imã de Drancy é uma das figuras mais controvertidas entre os imãs da França, e não só por sua atual posição moderada. Isso porque, muito antes de assumir o posto de líder espiritual da mesquita, ele foi objeto de investigações da Direção Geral de Polícia Nacional (DGPN), antigo serviço secreto interior da França, por pregar o jihadismo no país. Ex-integrante do movimento Tabligh, que prega um islã radical, ele chegou a ter seu crachá suspenso por razões de segurança quando trabalhava no Aeroporto Internacional de Roissy-Charles De Gaulle, em 2003.

Agora moderado, Chalghoumi denuncia o islã radical, ao mesmo tempo em que tem de responder a questões sobre um dos muçulmanos que frequentou a sua mesquita Al-Nour. Trata-se de Samy Amimour, 28 anos, um dos terroristas que atacaram a casa de shows Bataclan na sexta-feira, suicidando-se com um cinto de explosivos.

Descrito pelo prefeito de Drancy, Jean-Christophe Lagarde, como um jovem bem educado, esportista e vaidoso, Amimour era motorista de ônibus da empresa pública de transportes RATP até 2011, quando iniciou sua trajetória radical.

A partir do ano seguinte, migrou para a mesquita salafista de Blanc-Mesnil, de onde viajou à Síria para se juntar às hostes do EI. Integrado ao grupo terrorista, casou-se com uma francesa, teve um filho e se recusou a atender seu pai, que lutou publicamente para retirá-lo do país árabe e trazê-lo de volta à França. Na sexta-feira, Amimour atacou em Paris.

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