Jihadistas do Estado Islâmico usam a água como arma no Iraque

Grupo busca controlesobre barragens para deslocar comunidades ou privá-las do recurso,principalmente as xiitas

ERIN CUNNINGHAN, THE WASHINGTON POST / BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2014 | 02h01

Os militantes do Estado Islâmico (EI) que capturaram áreas ao norte do Iraque vêm usando cada vez mais a água como arma - cortando o fornecimento para os povoados que resistem a seu controle - e insistem em ampliar seu controle sobre a infraestrutura hídrica do país.

A ameaça dos jihadistas é tão perigosa que forças americanas estão bombardeando os militantes em áreas próximas às barragens de Haditha e Mossul - as maiores do Iraque - quase diariamente. Os extremistas sunitas querem controlar as barragens para reforçar sua alegação de que estão construindo um Estado de verdade. As barragens são importantes para a irrigação dos vastos campos de trigo do Iraque e o fornecimento de energia elétrica para os iraquianos. E mais sinistro é o fato de o EI usar o controle sobre essas barragens, incluindo quatro ao longo dos rios Tigre e Eufrates, para deslocar as comunidades ou privá-las de água.

O EI "sabe o quão poderosa é a água como arma e não teme usá-la", disse Michael Stephens, especialista em Oriente Médio e vice-diretor do Royal United Services Institute, grupo de estudos sobre segurança com sede em Londres. "Muito trabalho tem sido empregado para controlar os recursos no Iraque de uma maneira nunca vista em outros conflitos", acrescentou.

A água há tempos desempenha um papel importante em conflitos armados, desde o bombardeio aliado das hidrelétricas alemãs na 2.ª Guerra até a drenagem dos pântanos ao sul do Iraque por Saddam Hussein para punir os moradores que se rebelaram contra seu governo.

Mas a ideia de um grupo não estatal, extremista, assumir o controle dessa importante infraestrutura hídrica causa uma preocupação particular. A Casa Branca ficou tão alarmada em agosto quando os combatentes do EI controlaram por um breve período a barragem de Mossul - localizada no Rio Tigre e que atravessa Bagdá - a ponto de apoiar uma grande operação das forças curdas e iraquianas para retomá-la.

Em abril, os jihadistas do EI que controlavam a barragem de Falluja, na Província de Ambar, fecharam as comportas, medida que, segundo autoridades iraquianas, teve por objetivo reduzir o fluxo de água para as províncias dominadas por xiitas, ao sul do país. Mas o subsequente aumento de água na barragem de Falluja provocou o transbordamento de um canal de irrigação numa área sunita vizinha, afetando cerca de 40 mil pessoas.

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