Jihadistas intensificam ataques em cidade síria

Atentado com homem-bomba foi lançado pelo Estado Islâmico na batalha pelo controle de Kobani, cidade na região da fronteira com a Turquia

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2014 | 02h02

Um homem-bomba do Estado Islâmico (EI) detonou um caminhão cheio de explosivos na cidade curda de Kobani, situada na Síria, perto da fronteira com a Turquia. Segundo grupos que monitoram o conflito sírio e fontes curdas, o ataque ocorreu em um distrito ao norte da cidade, que tem sido cenário de pesados confrontos entre forças curdas e jihadistas do EI.

Idris Nassan, oficial curdo de Kobani, disse que dois combatentes curdos ficaram feridos no ataque suicida que, aparentemente, buscava abrir caminho para o avanço de combatentes do EI. "Eles tentaram avançar na direção do cruzamento (da fronteira), mas a milícia curda os repeliu e eles não conseguiram ir adiante", disse Nassan.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), grupo que monitora o conflito, relatou mais confrontos ontem dentro da cidade, onde ataques aéreos liderados pelos EUA, até o momento, fracassaram em conter o avanço dos militantes.

Pelo menos 180 mil pessoas foram deslocadas em razão dos confrontos em Hit, na província iraquiana de Anbar, desde que militantes do EI assumiram o controle da cidade, no início do mês, de acordo com a ONU.

Combatentes do Estado Islâmico invadiram ontem uma base militar abandonada pelo Exército do Iraque, aproximadamente 8 km a oeste de Hit, de acordo com um oficial do Exército iraquiano e membros de uma milícia sunita apoiada pelo governo.

Os jihadistas roubaram três veículos blindados e cinco tanques. Depois, eles atearam fogo ao local, segundo o militar e os milicianos sunitas.

O EI tem avançado nas últimas semanas em sua ofensiva contra a Província de Anbar, no Iraque, que faz fronteira com a Síria. Eles assumiram o controle de Hit, no dia 2, e da vizinha Kubaisa, no dia 4.

Em decorrência do conflito e de ataques aéreos conduzidos pelo governo iraquiano e pela coalizão internacional liderada pelo EUA, até 30 mil famílias (cerca de 180 mil pessoas) fugiram de Hit, que fica 20 km a oeste da cidade de Ramadi, segundo informou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Rápido avanço. O EI já controla a área que se estende de Qaim, na fronteira iraquiana com a Síria, e a leste do Rio Eufrates, até a represa de Haditha, onde seus militantes enfrentam forças de segurança e milícias tribais.

A queda de Hit é tida como um passo do Estado Islâmico para isolar forças pró-governo que defendem a Represa Haditha, de onde é controlado o fluxo do Rio Eufrates para o sul do Iraque.

Antes de cair nas mãos do Estado Islâmico, a cidade era um relativo oásis para famílias que tinham sido deslocadas de suas casas em toda a Província de Anbar desde o início do ano. Cerca de 100 mil pessoas deslocadas viviam em Hit, de acordo com a ONU. / REUTERS

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