Jihadistas radicalizam crise na Síria, diz ONU

Relatório aponta que combatentes trazidos de outros países ganham importância na oposição ao regime de Assad

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 07h00

O conflito na Síria está se radicalizando, com presença cada vez mais importante de grupos salafistas - formados por radicais islâmicos ortodoxos - que estão importando combatentes de pelo menos dez países para enfrentar o regime de Bashar Assad. Essa é uma das conclusões de levantamento que a Comissão de Inquérito da ONU apresenta hoje, em que afirma também que o Exército Livre da Síria não passa de uma "marca", incapaz de liderar a oposição.

O trabalho obtido pelo Estado é presidido pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro e alerta para uma escalada na violência, agravada pelo sectarismo. Em março, a comissão promete entregar à ONU uma lista com nomes de indivíduos e unidades suspeitas de cometer crimes. A ONU insiste que mais crimes de guerra e contra a humanidade estão sendo cometidos pelo governo. Mas um dos principais destaques do informe é a constatação da radicalização do conflito diante "da presença cada vez maior de estrangeiros".

Apesar de todos os apelos internacionais, o conflito estaria mais militarizado do que nunca diante da proliferação de armas e de um arsenal cada vez mais potente, de ambos os lados. "A radicalização favorece grupos armados que adotam o salafismo", indica a investigação, que aponta a Frente Al Nusra como maior exemplo desses grupos. A comissão insiste que "combatentes estrangeiros constituem um facção importante da insurgência". Em termos numéricos, seriam menores que os demais grupos, mas suas técnicas de guerra têm trazido "substancial contribuição para a eficiência da oposição". Seus membros vêm de países como Líbia, Tunísia, Arábia Saudita, Líbano, Iraque, Egito, além da Ásia Central.

No levantamento, o grupo pede que forças rebeldes sírias se distanciem de combatentes estrangeiros, em particular os "extremistas", sigam padrões internacionais e se comprometam a defender os direitos humanos.

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