Jihadistas são acusados de matar líder líbio

Comandante militar rebelde foi assassinado por facção islâmica anti-Kadafi, afirma oposição

Reuters, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

Os responsáveis pela morte de Abdel-Fattah Younis, comandante militar das forças rebeldes na Líbia, são membros de uma facção jihadista conhecida como "Obaida Ibn Jarrah" - que também luta para derrubar o ditador Muamar Kadafi. A acusação foi feita por Ali Tarhouni, um dos principais líderes do Conselho Nacional de Transição (CNT).

Tarhouni disse que o chefe da milícia foi detido em Benghazi e confessou o envolvimento de subordinados no assassinato. Younis foi morto com dois de seus assessores antes de depor sobre o suposto envolvimento de seus familiares com facções leais a Kadafi. Antes de desertar e aderir à causa rebelde, Younis servira como ministro do Interior do governo líbio.

O governo de Kadafi tenta tirar proveito político do incidente alegando que o assassinato é uma prova de que os rebeldes são incapazes de controlar a Líbia. "Foi um tapa na cara dos britânicos. Aqueles que eles reconhecem (como governo) não puderam proteger o próprio comandante das Forças Armadas", disse o porta-voz de Kadafi Moussa Ibrahim.

Influência. O porta-voz acusou ainda a rede terrorista Al-Qaeda de estar por trás do assassinato de Younis e de controlar os grupos rebeldes. "Com esse ato, a Al-Qaeda queria marcar presença e mostrar a sua influência nessa região", disse Ibrahim.

"Os outros membros do Conselho Nacional de Transição sabiam disso (o assassinato) mas não puderam reagir porque estão sendo aterrorizados pela Al-Qaeda", completou

A morte de Younis aumentou as tensões em Benghazi, capital do movimento de oposição a Kadafi. Milhares acompanharam o enterro do comandante. "O sangue dos mártires não se irá em vão", eles gritavam. O caixão foi enrolado na bandeira tricolor da oposição.

Na quarta-feira, o chanceler britânico, William Hague, declarou o CNT como "única autoridade governamental" da Líbia e convidou seus líderes a iniciarem oficialmente relações diplomáticas com Londres.

Além do Grã-Bretanha, 32 países, entre os quais os Estados Unidos, comprometeram-se em reconhecer formalmente o Conselho Nacional de Transição como governo legítimo.

Europeus e americanos temem que a morte de Younis acentue as divisões entre facções rebeldes, dificultando ainda mais a saída de Kadafi, que continua no poder após quatro meses de bombardeiros da Otan.

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