Jihadistas sequestram 9 estrangeiros na Líbia

Todos eram funcionários de petrolífera com sede na Áustria e foram levados por militantes do Estado Islâmico

VIENA, O Estado de S.Paulo

10 Março 2015 | 02h02

Militantes do Estado Islâmico na Líbia sequestraram um grupo de estrangeiros no campo de petróleo de Al-Ghani na semana passada, disse ontem um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Áustria, citando "informações confiáveis" e acrescentando que eles estavam vivos quando foram levados.

Desde então não houve notícia dos nove funcionários do setor petrolífero originários de Áustria, República Checa, Bangladesh, Filipinas e de pelo menos um país africano, segundo o porta-voz. "Sabemos que eles não foram feridos ao serem levados do campo de petróleo de Al-Ghani", acrescentou.

O governo de Bangladesh confirmou ontem que um dos trabalhadores estrangeiros tomados como reféns pelo EI é cidadão do país. Os estrangeiros são alvo cada vez mais frequentes de jihadistas em meio ao tumulto instaurado na Líbia, onde dois governos rivais disputam o poder e extremistas islâmicos ganharam força no caos que se seguiu à queda do ditador Muamar Kadafi, quatro anos atrás.

Os nove estrangeiros trabalhavam para a Value Added Oilfield Services (Vaos), empresa administradora do campo de petróleo. A empresa afirmou desconhecer qual milícia é responsável pelo caso e disse que não divulgará os nomes dos funcionários. "Estamos trabalhando em cooperação muito próxima com a equipe de crises do Ministério das Relações Exteriores austríaco", declarou a Vaos, em comunicado.

Entre os clientes da Vaos estão as gigantes petrolíferas British Petroleum, Repsol e a austríaca OMV. Além de ter escritórios em Malta e na Áustria, ela opera com exclusividade na Líbia, de acordo com seu site.

Síria. Um ataque aéreo na Síria lançado pela coalizão liderada pelos EUA atingiu uma refinaria de petróleo controlada pelo Estado Islâmico perto da fronteira com a Turquia, no domingo, matando 30 pessoas, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Rami Abdulrahman, diretor do OSDH, com sede em Londres, disse que os mortos eram trabalhadores da refinaria e militantes do Estado Islâmico. A refinaria atacada fica ao norte da cidade de Tel Abyad, perto da fronteira com a Turquia.

Questionado sobre o relato do OSDH, um porta-voz da Força Tarefa Conjunta Combinada dos EUA, responsável pelo combate ao EI, disse: "Quando uma alegação de vítimas civis causadas pelos EUA ou forças da coalizão é considerada crível, uma investigação completa é iniciada para determinar a precisão do crédito e quaisquer circunstâncias que rodeiam o caso".

O porta-voz disse ainda que as forças americanas e da coalizão tinham adotado "medidas significativas de redução de danos no processo de ataque e durante a realização de operações para reduzir o potencial de baixas civis e danos colaterais".

A Turquia fechou ontem duas passagens fronteiriças com a Síria em razão dos intensos combates entre Exército sírio, forças rebeldes e jihadistas do Estado Islâmico. O EI conquistou amplas áreas da Síria e do Iraque, declarando-as parte de um "califado". Os territórios que o grupo controla no norte e no leste da Síria incluem regiões produtoras de petróleo que financiam as atividades do grupo. / EFE e REUTERS

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