Jihadistas tentam transformar levante em conflito sectário

Análise: Rod Nordland / NYT

O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h04

Aimagem virou ícone da revolução síria: homens mascarados que dizem ser do Exército Sírio Livre (ESL) empunhando fuzis AK-47. No fundo, duas bandeiras da Al-Qaeda com uma frase em árabe. "Estamos formando células suicidas para fazer a jihad em nome de Deus", dizia o apresentador, usando o árabe clássico, preferido pela rede terrorista. A gravação, postada no YouTube, é mais uma prova de que radicais islâmicos tentam se apoderar, cada vez mais, do levante.

Embora os líderes da oposição síria neguem a presença de extremistas, a Al-Qaeda modificou a natureza do conflito após introduzir uma arma aperfeiçoada no Iraque: os atentados suicidas. São muitas as evidências de que a Síria tornou-se polo de extremistas sunitas. Uma delas é Bab al-Hawa, na fronteira com a Turquia, que caiu nas mãos dos rebeldes na semana passada e tornou-se um ponto de concentração de jihadistas. A presença deles na Síria cresceu nos últimos dias, em parte, em razão da convergência com as tensões sectárias na fronteira com o Iraque.

Um reflexo disso é o fato de a Al-Qaeda já ter assumido publicamente o compromisso de fundir os insurgentes no Iraque com a revolução na Síria, definindo ambos os conflitos como sectários. Autoridades iraquianas dizem que os extremistas que atuam na Síria são os mesmos do Iraque. "Temos total certeza", afirma Izzat al-Shahbandar, assessor do premiê iraquiano, Nouri al-Maliki.

Desde o início do levante, o governo sírio tenta mostrar que os dissidentes são ligados à Al-Qaeda, o que é desmentido pela oposição. A revolução começou como um movimento pacífico, mas tornou-se uma luta armada, atraiu jihadistas e seus ataques suicidas. Desde dezembro, foram pelo menos 35 atentados com carros-bomba e 10 atentados suicidas confirmados, dos quais 4 foram reivindicados pela Frente Nusra da Al-Qaeda.

Daniel Byman, especialista em terrorismo do Brookings Institution, disse que a Al-Qaeda tenta intensificar suas atividades na Síria assim como fez na Somália e no Mali. Segundo ele, a rede aproveita agora muito mais combatentes locais do que estrangeiros, corrigindo o erro que custou sua credibilidade nos primeiros anos do conflito iraquiano. "O grupo aprendeu muito no Iraque", disse Byman. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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