Jimmy Carter se oferece para monitorar eleição no Líbano

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter se ofereceu hoje para monitorar as eleições parlamentares do Líbano, marcadas para o ano que vem. O pleito será uma grande disputa entre o grupo militante Hezbollah e os partidos pró-Ocidente. Carter propôs que sua organização, o Carter Center, realize a missão de monitoramento durante uma reunião, em Beirute, com o ministro do Interior, Ziad Baroud. A oferta foi bem recebida, mas Ziad Baroud afirmou que o gabinete precisa aprovar a oferta. As eleições estão marcadas para o período entre 20 de abril e 20 de junho, embora uma data específica ainda não tenha sido determinada. A responsabilidade pela organização do pleito é do Ministério do Interior. O ex-presidente norte-americano também se reuniu com membros de blocos parlamentares, mas não se encontrou com legisladores do Hezbollah. O grupo militante xiita está na lista de terroristas do Departamento de Estado dos EUA. Carter disse estar disposto a realizar um encontro com o Hezbollah, mas seus integrantes se recusam a se encontrar com o presidente, George W. Bush, e ex-presidentes norte-americanos. Ainda assim, Carter reuniu-se com alguns aliados do Hezbollah, dentre eles o líder cristão Michel Aoun e integrantes do bloco do líder no Parlamento, o xiita Nabih Berri. A eleição é muito importante tanto para os políticos contrários à Síria e apoiados por países ocidentais - que possuem a maioria das cadeiras do Parlamento de 128 assentos - quanto para a coalizão liderada pelo Hezbollah, que é apoiada pela Síria e pelo Irã e que pretende tomar o lugar do grupo rival. Carter afirmou, após a reunião com Baroud, que sua instituição "espera ansiosamente e com grande expectativa" pela missão, caso ela seja aprovada pelo governo. "Não temos nada a esconder", disse Baroud. "Ao contrário, estamos trabalhando de uma forma bastante transparente. Queremos que estas eleições sejam realizadas da melhor forma possível", afirmou. Hoje, Carter e o líder da maioria no Parlamento, Saad Hariri, homenagearam o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, depositando uma coroa de flores em seu túmulo, em Beirute. Hariri foi morto num ataque a bomba em 2005, o que resultou numa reviravolta política no país que forçou a Síria a retirar suas tropas do Líbano. Muitos libaneses acusam a Síria pela morte de Hariri. A Síria nega qualquer envolvimento. Depois do Líbano, onde chegou na terça-feira, Carter viajará para a Síria, no sábado. HamasUm alto funcionário do Hamas na capital síria, Damasco, afirmou que o ex-presidente norte-americano vai se reunir com a liderança do grupo palestino no exílio no domingo. Segundo esse funcionário, que falou sob condição de anonimato, Carter vai discutir o destino do soldado israelense Gilad Schalit, capturado por milícias ligadas ao Hamas nas proximidades de Gaza em 2006. Ele é mantido refém desde então. Essa reunião fez com que uma carta escrita à mão de Schalit fosse entregue a seus pais.Uma possível trégua entre o Hamas e Israel também será discutida. Carter foi muito criticado em abril, quando reuniu-se na Síria com o líder exilado do Hamas, Khaled Mashaal. Os Estados Unidos também consideram o Hamas uma organização terrorista.

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