João Paulo II reza pelas vítimas da guerra

O papa João Paulo II fez hoje uma oração pelas vítimas da guerra no Iraque, durante a tradicional bênção dominical para fiéis na Praça de São Pedro. A uma multidão de cerca de 30 mil pessoas, o papa pediu a intervenção da Virgem Maria "pela paz no Iraque e no mundo" ealertou: "Conflitos armados põem em risco a esperança da humanidade de um futuro melhor."Mesmo depois que os esforços diplomáticos do Vaticano para evitar a guerra falharam, o papa continuou a usar toda aparição pública para pedir pela paz. Ontem não foi diferente. Durante a bênção, ele afirmou que o amor de Deus se estende a todas as pessoas. "Os seres humanos, conscientes de um amor tão infinito, não podem deixar de acolher uns aos outros comdisposição fraternal."No sábado, João Paulo II enfatizou sua preocupação com a possibilidade de uma "catástrofe religiosa" e disse esperarque a tragédia humana no Iraque não ponha cristãos contra muçulmanos."Não se deve permitir que a guerra provoque a desunião entre as religiões", disse, durante a visita de um grupo de bispos católicos da Indonésia, país de maior população muçulmana domundo. Para ele, "neste momento de tensão crescente na comunidademundial" é importante um bom entendimento entre as religiões."Não podemos deixar que uma tragédia humana se transforme emcatástrofe religiosa."A posição do papa foi corroborada pelo núncio apostólico de Bagdá, Fernando Filoni, hoje, em entrevista à TV italiana RAI."Esta guerra nasceu sem o respaldo das instituiçõesinternacionais", disse ele, um dos poucos diplomatas quepermanecem em Bagdá."Os objetivos que levaram à invasão do Iraque poderiam tersido alcançados de outra forma", argumentou. "Eu, que estouaqui, sei que, se o trabalho da ONU para desarmar o país tivesseprosseguido, certamente teria dado resultado."Filoni comentou relato do cardeal Pio Langhi, encarregado pelopapa da "missão impossível" de convencer o presidente GeorgeW. Bush a não invadir o Iraque. "Fiquei impressionado com o quedisse o cardeal quando voltou de Washington, que a guerra estavadecidida havia muito tempo", contou. Veja o especial :

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