Win McNamee/Getty Images/AFP
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Convenção democrata: Em discurso de aceitação, Biden promete virar a página do medo nos EUA

Na quarta noite da Convenção Nacional Democrata, ex-vice-presidente fez o discurso mais importante de sua vida pública três décadas após sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 17h17
Atualizado 21 de agosto de 2020 | 00h29

O ex-vice-presidente americano Joe Biden aceitou oficialmente a nomeação do Partido Democrata para concorrer à presidência dos EUA em 3 de novembro na quarta e última noite da Convenção Nacional Democrata. Seu discurso de aceitação  foi apresentado por seus dois filhos, Ashley e Hunter Biden, e um vídeo sobre toda a trajetória e a vida do candidato como pai, marido e líder político.  

Biden prometeu "virar a página do medo e da divisão nos EUA" no discurso mais importante de seus quase 50 anos de vida pública, apresentando sua visão para a presidência americana para desafiar Donald Trump.  "Muita raiva, muito medo, muita divisão. Aqui e agora, eu dou a minha palavra: se você me confiar a presidência, contarei com o melhor de nós, não com o pior. Serei um aliado da luz, não das trevas. É a nossa hora - para nós, o povo - de nos unirmos."

A atriz e comediante Julia Louis-Dreyfus, de Seinfeld, apresentou o evento e fez, logo no início, uma provocação a Trump. Ela contou que ficou surpresa ao receber um telefonema de Biden após a revista do serviço de trem americano Amtrak ter feito um artigo sobre ela. Biden costumava utilizar o serviço quando vivia em Wilmington (Delaware) e precisava ir para Washington. "Fiquei supresa por saber, primeiro, que Biden lê. E, segundo, que ele lê tudo", brincou ela, alfinetando Trump, que já declarou nunca ter lido um livro em sua vida. 

O empresário Andrew Yang, que disputou as primárias com Biden e a agora candidata a vice Kamala Harris,  foi o primeiro dos oradores.  "Conheci Joe e Kamala na campanha ao longo do ano passado - uma maneira para você realmente conhecer uma pessoa é quando as câmeras estão desligadas, a multidão se foi e fica só você e ela. Eles entendem os problemas que enfrentamos. São pais e patriotas que querem o melhor para o nosso país. E se dermos a eles a chance, eles vão lutar por nós e por nossas famílias todos os dias."

A prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, falando do Centro Nacional de Direitos Civis e Humanos, fez um paralelo entre os líderes históricos do movimento pelos direitos civis e aqueles, em grande parte jovens, que estão liderando o último movimento pela igualdade racial do país.

"As pessoas muitas vezes pensam que não podem fazer a diferença como nossos ícones dos direitos civis fizeram, mas todas as pessoas nesse movimento importam - aqueles que fizeram os sanduíches, varreram o chão da igreja, encheram os envelopes. Eles também mudaram a América"

“Nós clamamos por justiça, nos reunimos em nossas ruas para exigir mudanças e agora, devemos passar adiante o presente que John Lewis (deputado democrata e ícone do movimento civil americano que morreu este ano) sacrificou para nos dar, devemos nos registrar e votar.”

Outro ex-adversário de Biden durante as primárias, e ao lado de Kamala único negro na disputa, o senador Cory Booker, afirmou que Trump falhou com o país em promover uma maior igualdade social. "Juntos, com Joe e Kamala na Casa Branca, aumentaremos o salário mínimo para que ninguém que trabalhe em tempo integral e viva na pobreza. Juntos, vamos lutar por aqueles que nos mantêm saudáveis; que nos mantêm seguros; que ensinam nossos filhos", disse Booker.

Na noite de ex-adversários democratas de Biden, Peter Buttigieg, o primeiro candidato gay na história americana a vencer uma disputa das primárias presidenciais de um grande partido, disse que as mudanças na aceitação e direitos LGBTQ entre 2010 e 2020 mostram o progresso mais amplo que os EUA podem fazer se Biden for eleito em novembro.

“Tudo começa aqui - com as escolhas que faremos em apenas algumas semanas”, disse Buttigieg. “Decisões não são apenas sobre quem vai nos liderar, mas sobre quem nós somos."

Uma homenagem a Beau Biden precedeu Buttigieg, que iniciou suas observações lembrando o filho de Biden morto em 2015 como alguém que “viveu uma vida de serviço, no cargo e no uniforme”.

Quando Buttigieg endossou Biden no início deste ano, o democrata disse que seu antigo rival o "lembrava seu filho, Beau", um comentário que claramente comoveu o ex-prefeito de South Bend.

O discurso desta noite de Biden, feito mais de três décadas após sua primeira tentativa de chegar à Casa Branca, coroa a longa carreira política do ex-senador e vice-presidente, em uma eleição marcada por uma crise econômica e de saúde sem precedentes nos Estados Unidos. 

Ele falou diretamente à câmera em um centro de eventos em grande parte vazio de Wilmington e não diante de uma plateia entusiasmada de delegados, o que acentua a natureza peculiar de uma convenção realizada remotamente graças a depoimentos em vídeo, ao vivo e pré-gravados.

Aos 77 anos, o ex-vice-presidente de Barack Obama faz parte do grupo de risco e fez raras aparições durante a campanha, muitas delas de sua casa. A vice de chapa de Biden, Kamala, a primeira negra e asiático-americana em uma chapa presidencial dos EUA, aceitou sua indicação na quarta-feira e acusou Trump de ser uma liderança falha que custou vidas e empregos.

Biden segue na campanha com uma vantagem clara e constante nas pesquisas nacionais de opinião sobre Trump, de 74 anos, que aceitará a indicação republicana para concorrer a um segundo mandato em sua própria convenção na semana que vem.

Os democratas trabalharam para ampliar o respaldo a Biden durante a convenção, particularmente ao destacar apoiadores republicanos, como o ex-secretário de Estado Colin Powell e o ex-governador de Ohio John Kasich, além de americanos que votaram em Trump em 2016 e hoje o culpam pelo fardo da pandemia de covid-19 na economia e na saúde.

Na sua programação contra os democratas, Trump participou de um evento de campanha perto de Scranton, onde Biden nasceu, na Pensilvânia, um dos Estados-chave na disputa pela Presidência dos EUA, e onde disse aos americanos que o adversário seria "seu pior pesadelo"

 

 

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