Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times

Joe Biden promete mudar estilo 'tátil' após denúncias de assédio

Em dois dias, ao menos três mulheres acusaram o ex-vice presidente dos Estados Unidos e potencial pré-candidato democrata à campanha presidencial de 2020, de tê-las 'tocado de forma inapropriada'

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 16h40

WASHINGTON - O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Joe Biden afirmou nesta quarta-feira, 3, em um vídeo de dois minutos divulgado na internet, que vai mudar seu comportamento e estilo de campanha, numa tentativa de evitar críticas por seu comportamento efusivo e com abraços e toques. A decisão de mudar seu comportamento vem dois dias depois de ao menos três mulheres acusarem Biden de tê-las tocado de maneira inapropriada no passado.

“Na minha carreira, eu sempre tentei fazer uma conexão humana - é minha responsabilidade, eu acho", disse Biden em um vídeo de dois minutos postado em sua conta no Twitter. “Aperto as mãos, abraço as pessoas, agarro homens e mulheres pelos ombros e digo: ‘Você pode fazer isso’”. Mas ele acrescentou: “As normas sociais começaram a mudar, elas mudaram e os limites da proteção do espaço pessoal foram redefinidos e eu entendi. Entendi. Eu ouço o que eles estão dizendo”.

Apesar do anúncio, Biden defendeu seu comportamento passado de contato próximo, mas também disse que é capaz de mudar. A resposta de Biden vem como uma tentativa de preparar o terreno para lançar sua campanha como pré-candidato democrata a campanha presidencial de 2020.

Na terça-feira, uma mulher do estado de Connecticut disse que Joe Biden, de 76 anos, a “tocou de forma inapropriada e roçou seu nariz com o dela” em um evento de campanha em 2009. É a terceira pessoa em três dias que acusa o ex-vice presidente dos EUA de “tocar mulheres de forma inapropriada”. 

“Não foi algo sexual, mas ele me agarrou pela cabeça”, disse Amy Lappos, de 43 anos, na segunda-feira, sobre seu encontro com Biden em um evento em Greenwich, Connecticut. “Ele colocou suas mãos ao redor do meu pescoço e me puxou para roçar narizes comigo. Quando ele me puxou, pensei que ele iria me beijar na boca.”

Lappos disse que não denunciou o caso porque acreditou que não prosperaria. Mesmo que a própria descrição da vítima não indique assédio sexual, o episódio tende a ser usado pelos republicanos contra Biden. A moradora de Connecticut publicou um relato sobre o caso numa rede social no domingo, depois que a ex-deputada estadual de Nevada Lucy Flores acusou Biden de beijá-la na nuca em um evento em 2014.

As acusações podem causar alguns problemas para uma possível campanha presidencial de Biden, que era vice de Barack Obama no período em que os casos relatados teriam acontecido. A expectativa é que sua candidatura seja anunciada nas próximas semanas. Biden tem liderado as pesquisas de intenção de voto entre os nomes democratas, em vantagens que vão de 8 a 19 pontos porcentuais, dependendo do Estado. Ele também aparece em vantagem de até 8 pontos porcentuais em uma disputa contra Trump.

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