Courtesy of Biden for President
Courtesy of Biden for President

Joe Biden, um candidato discreto até em sua própria cidade

Desde que a pandemia de covid-19 o obrigou a fazer campanha no porão de sua casa, Biden, de 77 anos, saiu em poucas ocasiões e nunca para muito longe

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2020 | 03h30

WILMINGTON, EUA - Vários veículos do serviço de proteção vigiam dia e noite o acesso à casa de Joe Biden em um bairro nobre de Wilmington, cidade do Estado de Delaware, refletindo a campanha presidencial do candidato democrata: silenciosa e

discreta. 

Nos jardins bem cuidados das casas luxuosas da vizinhança, não há sinal de cartazes eleitorais que muitos americanos colocam na fachada de suas casas para deixar claras suas preferências políticas. 

O grande dispositivo de segurança implantado no número 1209 da Rua Barley Mill é a única coisa a sugerir que talvez o futuro do país esteja sendo decidido nessa casa rodeada de árvores. 

Desde que a pandemia de covid-19 o obrigou a fazer campanha no porão de sua casa, Biden, de 77 anos, saiu em poucas ocasiões e nunca para muito longe. 

Joe, o passageiro de trem

Os 700 mil habitantes de Wilmington sabem que a melhor opção para esbarrar com Biden é na estação que leva seu nome. O candidato democrata, senador de Delaware por quase quatro décadas, sempre preferiu o trem ao carro para suas idas e vindas diárias entre sua cidade e Washington, a duas horas de distância. 

No entanto, a presença do homem apelidado há anos de "Amtrak Joe", em referência à companhia ferroviária pública, agora é destacada apenas em uma placa com seu nome localizada ao lado de uma porta fechada devido à pandemia. 

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"É a campanha mais estranha que já vi. Uma campanha no Zoom e nas redes sociais", disse Ray Saccomandi, gerente imobiliário de 54 anos. 

Para esse ítalo-americano, "Joe" - como muitos o chamam na região -, não "tem necessidade de fazer uma campanha ativa" em Delaware, um pequeno Estado da Costa Leste do país, com vantagens fiscais e que frequentemente elege democratas. 

Embora Biden também não esteja fazendo campanha em outros lugares após decidir, a conselho de seu médico, não realizar comícios eleitorais, sua estratégia de espera está gerando frutos no momento: as pesquisas lhe dão uma vantagem confortável sobre o presidente Donald Trump

Joe, o salva-vidas

Em Wilmington, outro estabelecimento municipal recebeu o nome do democrata: o centro aquático Joseph R. Biden Jr,

cuja fachada ostenta o selo oficial da vice-presidência dos EUA. 

Biden, que chegou a Delaware aos 10 anos, nascido na vizinha Pensilvania, trabalhou no local como salva-vidas, no centro de um bairro de maioria afro-americana. Uma experiência que, segundo ele, foi a base de seu compromisso político.   

Como as centenas de milhares de pessoas que encheram as ruas do país para protestar contra o racismo e a violência policial após a morte de George Floyd no fim de maio, o salva-vidas Brandon Crooks, de 23 anos, sonha acima de tudo com a "igualdade de possibilidades" e o respeito. 

Ao ser questionado se imagina algum dia concorrer algum dia à Casa Branca como seu antecessor distante no cargo de salva-vidas, responde: "Não, mas quem sabe? Ele provavelmente não queria ser presidente aos 19 anos quando trabalhava aqui". / AFP  

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