AP Photo/Patrick Semansky
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Joe Biden visita Michigan para tentar recuperar Estado perdido para Trump em 2016

Candidato democrata visita região decisiva e vai ecoar discurso vitorioso do presidente republicano de 'proteger empregos americanos'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 12h59
Atualizado 09 de setembro de 2020 | 16h22

MICHIGAN - Dos três Estados que o presidente Donald Trump tomou do Partido Democrata de maneira surpreendente em 2016 - Michigan, Pensilvânia e Wisconsin -, o Michigan parece aos republicanos o que mais corre o risco de voltar para os rivais democratas. 

É por isso que o candidato democrata Joe Biden visita Warren, um subúrbio de Detroit, a principal cidade do Estado, nesta quarta-feira, 9, com o objetivo de falar sobre economia e a promessa de “proteger os empregos americanos”, ecoando o discurso vitorioso de Trump em 2016.

Biden aproveitou o discurso para criticar a forma como o presidente americano tratou a pandemia do novo coronavírus. "Ele sabia (da gravidade) e minimizou de propósito", disse o democrata em referência às revelações do novo livro do jornalista Bob Woodward relatando que Trump sabia que o vírus era "mortal" e pior que uma gripe, mas minimizou os seus riscos para não criar pânico na população. 

"Ele mentiu para o povo americano. Ele mentiu intencionalmente sobre a ameaça que representava para o país durante meses", disse Biden em frente ao centro de treinamento da United Auto Workers em Warren. O ex-vice presidente de Barack Obama chamou as ações de Trump de "uma traição de vida ou morte ao povo americano". Os EUA são o país mais afetado do mundo pela pandemia, com mais de 190 mil mortes. 

Depois das críticas a Trump, Biden fez comentários sobre a economia americana, prometendo assinar uma série de ações executivas, se eleito, que priorizariam os trabalhadores e os produtos americanos. Prometeu converter a frota de veículos do governo em veículos elétricos fabricados nos Estados Unidos e aproveitou para criticar o histórico de Trump na economia desde que assumiu o cargo.

"Ele prometeu que traria empregos, impediria as empresas de sair, fez suas afirmações selvagens e agora espera que não percebamos o que ele disse ou que não nos lembremos", argumentou. "Ele espera que tenhamos memórias ruins e não dá muito crédito ao fato de o povo americano ser inteligente, honesto, decente e trabalhador. Esperamos que nosso presidente seja direto conosco". 

Warren fica no condado de Macomb, um lugar associado aos eleitores brancos da classe trabalhadora que tradicionalmente votavam nos democratas, mas abraçaram Ronald Reagan e, mais tarde, Trump. Biden intensificou seus esforços nos últimos meses com políticas destinadas a estimular os trabalhadores americanos.

Na semana passada, Biden foi para Wisconsin e esteve na Pensilvânia no feriado de 7 de setembro, em uma indicação do quanto suas chances em novembro estão ligadas à capacidade para reconquistar aqueles que antes eram Estados democratas, mas passaram a apoiar Trump em 2016. 

"Se Biden ganhar um ou dois deles (Michigan, Pensilvânia e Wisconsin), é praticamente impossível para Trump vencer no Colégio Eleitoral'', afirmou o veterano estrategista democrata Joe Trippi. "Faz tremendo sentido fazer desses três Estados a base de qualquer estratégia para vencer. Se Biden vencer os três, acabou.''

Reação de Trump

Antes da visita de Biden, Trump já estava de olho no Estado. O presidente americano vai à região na quinta-feira, no condado de Saginaw, onde venceu por 1% dos votos em 2016 contra Hillary Clinton. Dois anos depois, a democrata Gretchen Whitmer derrotou o republicano Bill Schuette por cerca de 8% dos votos no condado de Saginaw em seu caminho para se tornar governadora.

Trump retomou sua propaganda na televisão em Michigan esta semana, desta vez com um anúncio alardeando o "Grande retorno americano".  A propaganda afirma que a "linha de chegada está se aproximando" na corrida por uma vacina contra o coronavírus, e a economia está se recuperando, apesar da pandemia.

O anúncio também edita seletivamente uma entrevista com Biden para fazer parecer, incorretamente, que ele deseja fechar a economia para conter a pandemia. Por enquanto, Biden - cuja campanha está cheia de dinheiro - está gastando notavelmente mais do que Trump em Michigan.

Trump comprou pouco menos de US$ 1,1 milhão em tempo nas estações de televisão de Michigan durante a semana, em comparação com US$ 2,4 milhões para Biden, de acordo com dados da Advertising Analytics.

Nos próximos meses, Trump reservou quase tanto tempo na televisão em Michigan quanto Biden. Esses números quase certamente mudarão à medida que as campanhas ajustarem suas estratégias de publicidade com base em pesquisas e outros dados. Até agora, porém, Trump comprou US $ 13,1 milhões em tempo de televisão, em comparação com US $ 13,9 milhões para Biden. / AP e W. Post 

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