Jogadora holandesa foi esquartejada, diz polícia da Espanha

Ingrid Visser e o namorado Lodewijk Severein teriam sido brutalmente torturados até a morte

27 Maio 2013 | 21h35

A imprensa espanhola começou nesta segunda-feira, 27, a dar os primeiros detalhes da morte de Ingrid Visser, ex-jogadora da seleção holandesa de vôlei. O jornal La Verdad, de Murcia, descreveu a carnificina como uma "cena de Pulp Fiction".

A morte dos dois foi lenta. Ingrid, de 35 anos, e o namorado Lodewijk Severein, de 57, teriam sido torturados até a morte e esquartejados com uma serra elétrica. A polícia acredita que Severein era o alvo dos criminosos, porque foi o que mais sofreu. Ele teve a mandíbula triturada e os dentes arrancados.

No decorrer das investigações, a polícia acredita ter desvendado pelo menos um dos muitos mistérios do caso: como duas pessoas fortes, de grande porte físico, foram arrastadas do centro de Murcia para uma casa distante sem reagir e sem que nenhuma testemunha presenciasse?

Por isso, para os investigadores, está claro que Ingrid e Severein conheciam a pessoa que os levou até uma casa alugada na cidade de Molina de Segura, nos arredores de Murcia. Essa pessoa é um espanhol de 36 anos: Juan Cuenca, ex-diretor esportivo do CAV Murcia, time de vôlei da cidade, extinto em 2011. 

Cuenca seria, segundo policiais, "uma pessoa de inteira confiança do casal", que teria entrado voluntariamente no carro. Ao chegar em uma casa na zona rural, em Molina de Segura, eles teriam encontrado seus assassinos, os romenos Constantin Stan, de 47 anos, e Valentin Ion, de 60. A polícia suspeita que a dupla teria feito todo o trabalho sujo: socos, pontapés, tortura, a morte, o esquartejamento e até a limpeza da casa, que foi entregue incólume ao proprietário.

Os dois romenos também teriam assumido a tarefa de se livrar dos corpos, enterrados em uma plantação de limão no vilarejo de Alquerías, também nos arredores de Murcia. Quando começaram a escavar o local, os agentes encontraram primeiro um saco de lixo com um tronco humano. Em seguida, outro. Depois, vieram os membros. Por fim, as cabeças que seriam de Ingrid e Severein. A polícia espera confirmação de exames de DNA para confirmar a identidade, mas não tem dúvidas de que se trata do casal em razão da altura - ambos os holandeses tinham mais de 1,90 metro, tipo físico incomum na região.

Cuenca, Stan e Ion estão presos. Todos, segundo a polícia, têm ligações com o crime organizado. A polícia acredita que o motivo tenha relação com alguma "pendência financeira". Os assassinos souberam - ainda não se sabe como - que o casal chegaria naquela data a Murcia. Realizaram a abordagem, a negociação deu errado e os dois foram brutalmente assassinados. 

Investigadores disseram a jornalistas espanhóis que há mais envolvidos e espera realizar mais prisões nas próximas horas, mas evita dar certos detalhes para não prejudicar as investigações. Contudo, falta responder que tipo de negócios Ingrid e Severein foram tratar em Murcia.

Mito. Ingrid era um mito na Holanda: disputou 514 partidas pela seleção - foi a atleta que mais vestiu a camisa do país em todos os esportes coletivos. Entre 1997 e 1999, ela jogou no Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte. Ela e o namorado estavam desaparecidos desde o dia 13 de maio.

 

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