Jogadores se auto-banem dos cassinos nos EUA. Funciona?

Virginia Ormanian torrou a maior parte da poupança de sua aposentadoria jogando nos caça-níqueis de Detroit, no ano passado ? algo que ela deveria ser impedida de fazer. Afinal, a jogadora compulsiva, de 49 anos, baniu-se voluntariamente de freqüentar cassinos em agosto de 2002, através de uma programa criado para mantê-la e a outros adictos longe do jogo.?Eu contava com os cassinos para honrar esse contrato?, diz Virginia. ?Tinha de conseguir minha vida de volta.?Agora, Virginia e Norma Astourian estão processando os cassinos por quebra de contrato. Elas argumentam que as empresas de jogo não cumpriram as regras da ?lista de pessoas desassociadas?, na qual se colocaram.Assim que o jogo se espalhou pelo país, alguns Estados criaram listas de auto-exclusão, que impedem pessoas de entrar nos cassinos. Jogadores problemáticos que se inscreveram na lista de banimento devem pagar multa por prêmios ganhos no jogo e serão presos se pegos dentro de cassinos.As listas levantaram questões sobre sua eficiência na indústria do jogo e provocaram estudos sobre sua eficácia. E estão sobre o assédio legal de jogadores adictos, que acreditavam que era responsabilidade do cassino assegurar que eles parariam de esbanjar seu dinheiro.?A lista foi um veículo para permitir que o jogador se ajudasse. Mas foi através da barafunda que é nosso sistema legal que isso se metamorfoseou em um risco potencial para os cassinos?, diz David O. Stewart, um advogado de Washington, que defende empresas de jogo da auto-exclusão e processos similares e aconselha a American Gaming Association (AGA).Missouri, Louisiana, Illinois, Michigan e Nova Jersey têm listas de auto-exclusão com mais de 8.600 nomes. Indiana aprovou leis para legalizar a lista.Nevada, o maior Estado de jogo dos Estados Unidos, não financia uma lista de auto-exclusão, embora seus cassinos possam barrar alguém a pedido. Carol O´Hare, diretora executiva do Nevada Council on Problem Gambling, diz que a auto-exclusão seria um pesadelo logístico num Estado no qual caça-níqueis podem ser encontrados em bares, postos de gasolina e supermercados.?Teríamos de policiar cada 7-Eleven (lojas de conveniência) e restaurante?, diz. ?Precisamos é providenciar tratamento.?O Missouri foi um dos primeiros Estados a introduzir o programa de exclusão, em 1997, e tem mais de 6.400 pessoas em sua lista. Kevin Mullally, diretor executivo da Missouri Gaming Commission, diz que a lista foi concebida como um instrumento para ajudar as pessoas a enfrentar o vício.?Não é uma panacéia ou um remendo rápido?, diz.Como em outros Estados, a lista de exclusão protege pessoas do marketing direto e, quando cassinos violam a política, podem ser multados ou perder sua licença.Judy Patterson, diretora executiva do AGA diz que não existe uma política uniforme de auto-exclusão entre os Estados.?Acredito que a indústria apoia esse programa de auto-exclusão, mas gostaria também de certificar-se que ele funciona?, diz.O Instituto de Pesquisas sobre Jogo Patológico e Doenças Relacionadas da Escola de Medicina de Harvard está concedendo uma subvenção para estudos sobre a eficácia do programa do Missouri. Robert Ladouceur, professor de psicologia da Universidade Laval, no Quebec, diz que seu novo estudo envolvendo três cassinos e cerca de 200 jogadores compulsivos mostra que ?há alguma utilidade? para os programas de auto exclusão.Um operador de cassinos decidiu não esperar por informações definitivas sobre a eficácia desse programa. O Caesars Entertainment, sediado em Las Vegas, planeja criar uma base de dados com nomes de jogadores que serão para sempre barrados em seus 19 cassinos nos Estados Unidos. As pessoas poderão ser colocadas na ?Lista do Jogo Responsável? da empresa voluntariamente ? ou involuntariamente se os funcionários do cassino determinarem que a pessoa é um jogador problemático.

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