John Kerry vai à África antes de visita oficial de Obama

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, viajou para uma reunião de cúpula da União Africana neste sábado, 25. Kerry está realizando uma série de reuniões bilaterais com os líderes dos principais países africanos incluindo a Etiópia, Nigéria e Egito, antes de voltar para a Jordânia para enfrentar o Fórum Econômico Mundial, neste domingo, 26. O motivo da visita relâmpago de Kerry para a África, segundo as autoridades americanas, é enfatizar as preocupações do país com a governança, o desenvolvimento econômico, a paz e a segurança em toda a região antes de uma visita oficial do presidente Barack Obama ao continente, em junho.

Agência Estado

25 Maio 2013 | 16h41

Ainda neste sábado, Kerry deve se reunir com o presidente egípcio Mohammed Mursi. Autoridades dos EUA dizem que Kerry irá pressionar Mursi a adotar reformas econômicas do Fundo Monetário Internacional, além de discutir o papel do Egito no processo de paz no Oriente Médio.

Os Estados Unidos enfrentam uma série de questões delicadas na África, que incluem violações dos direitos humanos por parte das forças da Nigéria, luta contra os terroristas islâmicos, eleições, crise humanitária no Mali, expansão de terroristas ligados à Al Qaeda no Mali para os países vizinhos e tensões persistentes entre o Norte e Sudão do Sul, que afetam os mercados globais de petróleo. Em discussões com líderes de toda a região, Kerry está enfatizando o papel que o desenvolvimento econômico, especialmente aquele dirigido pelo setor privado, pode ter não só no aumento da prosperidade, mas também na resolução de algumas dessas questões de radicalização e governança.

A mensagem é um eco do que o secretário levou para líderes israelenses e palestinos na semana passada, quando ele procurou priorizar o desenvolvimento econômico dos territórios palestinos como uma forma de aliviar as tensões e retomar negociações de paz. Ele vai pressionar ainda mais o desenvolvimento econômico no discurso de domingo no Fórum Econômico Mundial, na Jordânia.

Críticas

Kerry ainda criticou as forças nigerianas que cometeram graves violações de direitos humanos em sua campanha para erradicar um grupo terrorista local. Um alto funcionário do Departamento de Estado, disse na sexta-feira que os abusos de direitos humanos continuam, apesar dos protestos formais dos EUA para a Nigéria. Forças do país alegaram ter "destruído" acampamentos terroristas dentro da Nigéria na manhã neste sábado, aumentando ainda mais as preocupações sobre como a campanha antiterror está sendo travada.

"A atrocidade de uma pessoa não é desculpa para a de uma outra pessoa", disse Kerry a repórteres. Ele afirmou que levantou a questão dos abusos de direitos humanos em conversas com autoridades nigerianas.

Kerry também disse que irá nomear um enviado especial para o Sudão para ajudar a intermediar uma solução para os conflitos em curso entre o país e o Sudão do Sul, que têm prejudicado as exportações de petróleo desse último, que conquistou sua independência em 2011, após uma das mais longas guerras civis da África. Ele pediu ainda que o presidente sudanês, Omar al Bashir, respeite os desejos das pessoas situadas nas províncias de fronteira entre os dois países.

"O Norte e o Sul estão em uma situação muito delicada neste momento", disse Kerry aos repórteres. O secretário convocou os dois líderes a "Direcionar o foco e a energia para o povo, no desenvolvimento do futuro, e não em combater os problemas do passado."

Kerry ainda viaja para Paris na segunda-feira, 27, para conversar com o secretário de Estado russo sobre a guerra civil da Síria. As informações são da Dow Jones.

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