John Kerry vai ao Iraque e reúne-se com novo premiê

Com a posse de um novo governo iraquiano e um crescente consenso no Oriente Médio a respeito da necessidade de derrotar ameaças insurgentes, o secretário de Estado norte-americano John Kerry pressionou o novo primeiro-ministro do Iraque nesta quarta-feira a conceder, rapidamente, mais poderes aos sunitas, dizendo que caso contrário ele colocará em risco qualquer esperança de derrotar o grupo Estado Islâmico.

Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 10h41

Kerry chegou a capital iraquiana dois dias depois de o novo premiê Haider al-Abadi ter empossado seus principais ministros, medida crucial para restaurar a estabilidade num país onde a segurança tem saído do controle desde o início do ano. Enquanto Kerry e al-Abadi estavam reunidos, dois carros-bomba explodiram simultaneamente no bairro de Nova Bagdá, Sul da capital, matando 13 pessoas.

A viagem marca o primeiro encontro de alto nível entre um representante dos Estados Unidos com al-Abadi, desde que ele se tornou primeiro-ministro, e tem como objetivo simbolizar o apoio do governo de Barack Obama ao Iraque, quase três anos após a saída das tropas norte-americanas do país. Mas o encontro também sinaliza para al-Abadi, um xiita, que os Estados Unidos estão observando para se certificarem que ele dará aos sunitas mais controle sobre suas estruturas locais de poder e forças de segurança, como prometido.

O antecessor de al-Abadi, Nouri al-Maliki, durante anos excluiu os sunitas do poder e se recusou a pagar salários às milícias tribais, além de impedir que sunitas tivessem empregos no governo. Essas ações provocaram grande ressentimento entre o grupo e foram usadas pelos extremistas do Estado Islâmico como ferramenta de recrutamento.

Em breves declarações após a reunião, al-Abadi afirmou que a violência no Iraque é, em grande parte, um reflexo da guerra civil na Síria, onde militantes do Estado Islâmico têm seu reduto

"Obviamente, nosso papel é defender nosso país, mas a comunidade internacional é responsável por proteger o Iraque e toda a região", disse al-Abadi said, falando em inglês. "O que está acontecendo na Síria está chegando ao Iraque. Não podemos cruzar a fronteira, trata-se de uma fronteira internacional. Mas existe o papel da comunidade internacional e dos Estados Unidos e da Organização das Nações Unidas de agir imediatamente e interromper esta ameaça."

Kerry elogiou a nova liderança iraquiana pelo que descreveu como "coragem" em rapidamente formar um novo governo e prometeu apoiar as reformas política que darão mais autoridade aos sunitas, além de resolver a antiga disputa entre Bagdá e o governo semiautônomo no norte do país.

"Estamos muito encorajados", disse Kerry. Ele garantiu a al-Abadi que o presidente Barack Obama vai divulgar planos, ainda nesta quarta-feira "sobre exatamente o que os Estados Unidos estão preparados para fazer, juntamente com muitos outros países, numa ampla coalizão, com o objetivo de combater esta estrutura terrorista, que é inaceitável sob qualquer padrão do mundo." Fonte: Associated Press.

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