Gary Cameron/REUTERS
Gary Cameron/REUTERS

John Lewis deixa legado de luta por justiça social

Ele foi o líder mais jovem na marcha de 1963, em Washington, quando Luther King proferiu seu icônico discurso ‘I have a dream’

Peniel E. Joseph / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 02h30

Na sexta-feira, John Lewis, deputado democrata e líder da luta contra o racismo nos Estados Unidos, morreu aos 80 anos, deixando um legado de ativismo pela justiça social que desempenhou um papel fundamental em algumas das vitórias mais importantes do movimento pelos direitos civis na história americana.

A morte de Lewis ocorre em um momento crítico, em meio a um acerto de contas moral e político sobre dignidade e cidadania dos negros. Sua vida fornece lições aos ativistas de hoje sobre como enfrentar a violência racial, forjar alianças produtivas e transformar a democracia.

Com o tempo, o establishment político americano reconheceu a importância do engajamento de Lewis. Barack Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, impulsionou o legado deste símbolo do movimento negro quando concedeu ao deputado a Medalha Presidencial da Liberdade. Para Lewis, a eleição de Obama era resultado daquilo que foi plantado com sacrifício por gerações anteriores.

Lewis entendeu que a luta pela dignidade e cidadania dos negros nunca acabou. Ele abraçou o movimento Black Lives Matter, incluindo os recentes protestos após o assassinato de George Floyd nas mãos da polícia. “Os protestos de hoje são muito mais massivos e includentes”, dizia, com satisfação, ao citar a participação de mulheres negras e brancos durante as marchas. 

A vida extraordinária de Lewis oferece lições importantes para os jovens de hoje que protestam contra a desigualdade racial nos EUA – e ao redor do mundo. Seu exemplo ensina que os movimentos pela justiça racial sempre foram reprimidos com violência pelas autoridades políticas e militares. Os ativistas que vêm mudando a democracia americana devem muito a John Lewis. 

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