REUTERS/Joshua Roberts
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John McCain pediu para que Trump não participasse de seu funeral 

Senador republicano, que morreu aos 81 anos no sábado, vítima de um câncer no cérebro, era um dos maiores críticos do presidente

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2018 | 21h18

WASHINGTON - O senador John McCain, que planejou seu funeral nos últimos meses, após ser diagnosticado com câncer no cérebro, deixou expressamente recomendado que não queria que o presidente Donald Trump participasse das cerimônias. Ele morreu no sábado, aos 81 anos. Vários meios de comunicação informaram que ele deixou recomendado que o vice, Mike Pence, representasse a Casa Branca. 

O senador e o presidente tinham uma relação conturbada e, em 2016, McCain disse que jamais votaria no bilionário por quem não escondia seu desprezo. No domingo, Trump vetou um comunicado da Casa Branca que qualificava McCain como “herói”. 

Os funerais de Estado serão realizados no sábado, na Catedral Nacional de Washington, ao qual vão comparecer dignatários americanos e estrangeiros. Os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush, um democrata e um republicano, deverão prestar homenagens fúnebres, a pedido de McCain, segundo o Times. McCain deverá ser enterrado no Cemitério da Academia Naval de Annapolis, onde cumpriu seu treinamento militar. Ele mesmo havia revelado, em 2015, o epitáfio que queria em sua lápide: “Ele serviu ao seu país”.

O programa de cerimônias foi anunciado neste domingo, 26, e inclui vários dias de homenagens, tanto em Arizona quanto em Washington. O caixão do senador será apresentado na quarta-feira em Phoenix, capital do Arizona, Estado que o senador representou por mais de 35 anos no Congresso. Um dia depois, haverá um culto em uma igreja batista local.

Depois, seu corpo será levado a Washington, onde será apresentado ao público na sexta-feira, no Capitólio, uma honraria reservada aqueles que marcaram a história dos EUA, como John F. Kennedy, Ronald Reagan e Rosa Parks.

Com sua morte, a maioria republicana diminui temporariamente no Senado, para 50 contra 49 da oposição democrata. Caberá ao governador do Arizona nomear seu sucessor até que se organize uma votação nas eleições de 2020, quando termina o mandato. Alguns meios de comunicação indicaram que o governador poderá escolher a viúva, Cindy McCain, para ocupar seu lugar. 

Homenagens 

As bandeiras foram hasteadas a meio mastro na capital dos Estados Unidos hoje, no dia seguinte à morte do senador, ex-piloto, prisioneiro na Guerra do Vietnã e candidato à Casa Branca em 2008.

O senador republicano do Arizona morreu no sábado após 13 meses de luta contra um câncer cerebral, e um dia após ter abandonado seu tratamento médico. Ele deixou sete filhos, três do primeiro casamento.

Líderes do mundo inteiro prestaram homenagens ao republicano no fim de semana. A chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou “um incansável defensor de uma forte aliança transatlântica”. Theresa May, primeira-ministra britânica, disse que “John McCain foi um grande estadista que incorporou a ideia de serviço altruísta”, enquanto Emmanuel Macron, presidente da França, escreveu que o senador “foi um verdadeiro herói americano”. 

McCain "sempre foi um excelente interlocutor para a França", disse Jean-Yves Le Drian, ministro francês das Relações Exteriores, que destacou sua visita ao Mali nas primeiras semanas da operação militar Serval, em 2013, para se reunir com tropas francesas.

Do outro lado do Pacífico, o China Daily o chamou de "titã da política americana" e "consciência do partido republicano". / AFP

 

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