Victoria Jones/Pool via AP
Victoria Jones/Pool via AP

Boris Johnson assume governo do Reino Unido e anuncia nomes do novo gabinete

Novo primeiro-ministro britânico promete concluir o Brexit 'custe o que custar' até 31 de outubro depois de ser incumbido pela rainha Elizabeth II de formar um novo governo; ele anunciou novos secretários de Finanças e Relações Exteriores

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 14h55
Atualizado 24 de julho de 2019 | 17h31

LONDRES - Boris Johnson se transformou oficialmente nesta quarta-feira, 24, no primeiro-ministro britânico com a missão de concretizar a saída do Reino Unido da União Europeia, depois de ter sido recebido pela rainha Elizabeth II e prometeu concluir o Brexit "custe o que custar".

Johnson disse que vai fazer “um novo acordo, um acordo melhor” com a UE. "Cumpriremos a promessa feita pelo Parlamento ao povo e sairemos da União Europeia em 31 de outubro, incondicionalmente", declarou em seu primeiro discurso na frente da residência oficial do chefe de governo do Reino Unido, no número 10 de Downing Street.

Johnson disse que, embora uma saída do bloco europeu sem acordo seja "uma possibilidade remota", o Reino Unido se preparará para esse cenário, "porque é sensato". Se a UE forçar o Reino Unido a retirar-se sem pacto nem um período de transição, o governo britânico terá que arcar com a despesa de 44 bilhões de euros que deverá repassar aos 27 países do bloco pelo divórcio.

Uma foto divulgada pelo Palácio de Buckingham em um comunicado mostra Johnson se curvando e apertando a mão da rainha ao assumir o novo cargo. Ele, que é o 14º primeiro-ministro britânico a servir sob o comando da rainha Elizabeth II, teve de passar por um grupo de ambientalistas que formaram uma corrente humana para dificultar seu percurso até o palácio.

Momentos antes, a ex-primeira-ministra britânica Theresa May formalmente apresentou sua renúncia à rainha. Ela afirmou que obter um Brexit "aceitável para todo o Reino Unido" é a "prioridade imediata" de seu substituto. May falou à imprensa em Downing Street pela última vez como chefe de governo, antes de entregar sua renúncia.

Sua chegada ao poder está longe de ser um apoio unânime. Militantes ecológicos da organização Greenpeace bloquearam brevemente o caminho de Johnson para o Palácio de Buckingham, formando uma cadeia humana na rua.

E quando ele fez seu discurso na porta da Downing Street, os manifestantes anti-Brexit fizeram sua raiva ser ouvida. Johnson foi um dos principais impulsionadores da votação do Brexit no referendo de junho de 2016.

Trocas no Gabinete

A maioria dos pesos-pesados do governo de Theresa May foi demitida, ou entregou o cargo. Momentos depois da oficialização da troca de comando no governo britânico, o secretário das Finanças, Philip Hammond, o secretário de Justiça, David Gauke, e o secretário de Desenvolvimento Internacional, Rory Stewart, apresentaram sua renúncia por discordarem da política do novo premiê.

"Entreguei minha renúncia a Theresa May. Foi um privilégio servir como ministro das Finanças nos últimos três anos", escreveu Philip Hammond no Twitter. 

Hammond já havia anunciado que se demitiria caso Boris Johnson fosse eleito premiê e quis com essa decisão demonstrar seu desacordo em relação ao novo chefe de Governo.

Novos secretários

De acordo com nota divulgada pelo novo governo, Sajid Javid será o ministro das Finanças. Ex-banqueiro de origem humilde, Javid foi rival de Johnson na corrida para Downing Street. Sem votos suficientes, acabou apoiando o atual premiê.

Johnson também demitiu o chanceler Jeremy Hunt, outro adversário na disputa pela sucessão de May. "Eu teria ficado honrado de continuar meu trabalho no Ministério das Relações Exteriores, mas entendo a necessidade de o novo primeiro-ministro escolher sua equipe", tuitou Hunt, explicando que Boris "(lhe) ofereceu gentilmente um outro posto", mas que ele recusou.

Em seu lugar, ficará Dominic Raab, de 45 anos, um eurocético da nova geração dos conservadores britânicos. No ano passado, ele deixou o governo para marcar sua oposição à estratégia da então premiê sobre o Brexit.

Segundo a imprensa britânica, haverá mais mulheres e mais representantes de minorias étnicas no novo governo.

Johnson, decidiu manter no cargo o ministro do Brexit, Stephen Barclay. O político conservador chegou ao cargo em novembro, após as renúncias de David Davis e Dominic Raab, ambas por desacordos com May na gestão da ruptura com a União Europeia (UE).  O novo premiê também nomeou Priti Patel como ministra do Interior.

/ AFP, EFE e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.