Andrew Parsons/10 Downing Street via AFP
Andrew Parsons/10 Downing Street via AFP

Boris Johnson enfrenta resistência para retorno às aulas no Reino Unido

Premiê britânico planeja reabrir escolas em junho, mas sofre pressão de pais e professores; país registra 37 mil mortes

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2020 | 21h56

LONDRES - O esforço do primeiro-ministro Boris Johnson para reabrir as escolas em junho, levando as crianças de volta às salas de aula e libertando os pais para impulsionar a economia da Grã-Bretanha, está surpreendentemente enfrentando uma forte resistência. 

Pais estão nervosos, professores temem que seja cedo demais e os consultores científicos não chegam a um consenso sobre um modelo de retorno. 

Johnson reafirmou ontem seu plano de reabrir as escolas primárias em 1.º de junho. O premiê reconheceu que talvez não seja possível retomar as aulas em todos os locais. Ele prometeu mais limpeza de superfícies, maior distanciamento social entre os estudantes, valorização de atividades ao ar livre e triagem para alunos e professores.

O governo britânico já foi criticado por falhas na implantação de testes, na proteção de asilos e no fornecimento de luvas e máscaras para os profissionais de saúde, que nos piores dias de pico foram forçados a usar sacos de lixo como aventais. 

A pressão aumentou quando a imprensa revelou que o principal consultor de Johnson, seu médico Dominic Cummings, havia violado as regras de quarentena ao viajar 260 quilômetros até a propriedade de seus pais no norte da Inglaterra, estando infectado pelo coronavírus. O caso gerou reclamações de que havia uma lei para a elite e outra para o povo comum, que não tem casas de campo para onde fugir.

Neste domingo, Johnson disse que Cummings “agiu de maneira responsável, legal e íntegra e com o forte objetivo de impedir a propagação do vírus e salvar vidas”, quando viajou para o norte para se isolar na casa de seus pais acompanhado de sua esposa e filho, ambos também doentes.

O primeiro-ministro espera que o Reino Unido alcance o resto da Europa e saia do confinamento em breve, ainda que lentamente. O país caiu no que os economistas dizem ser sua recessão mais profunda em 300 anos e não se pode administrar uma economia sem escolas, que não só preparam a próxima geração mas também fornecem assistência essencial para os pais que trabalham. Se elas não abrirem, os pais não poderão voltar ao trabalho.

O plano de volta às aulas no Reino Unido acompanha o de Alemanha, Nova Zelândia e Dinamarca, mas a pandemia nestes países foi menos drástica. Os britânicos, com 37 mil mortos, concentram o maior número de vítimas na Europa. / W. POST

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