Matt Dunham / AP
Matt Dunham / AP

Johnson quer proibir extensão do período de transição após o Brexit

Para analistas, prazo - até dezembro de 2020 - é muito curto para negociar um ambicioso tratado de livre comércio

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 09h01

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, quer proibir por lei a possibilidade de pedir à União Europeia (UE) uma extensão do período de transição após o Brexit além do fim de dezembro de 2020, informou uma fonte do governo.

Analistas e fontes europeias advertiram que o prazo é muito curto para negociar um ambicioso tratado de livre comércio, o que motivou o retorno dos temores de que o Reino Unido abandone a UE no dia 1.º de janeiro de 2021 sem um acordo.

Esta perspectiva provocou nesta terça-feira, 17, uma desvalorização da libra esterlina, que às 9h30 (6h30 em Brasília) perdia 1,2%, após as fortes altas registradas em consequência da vitória eleitoral esmagadora de Johnson na quinta-feira.

"Na semana passada, os britânicos votaram por um governo que faça o Brexit e permita ao país avançar. E isto é exatamente o que temos a intenção de fazer esta semana", disse a fonte. 

Para Entender

O que esperar de um governo de maioria conservadora

Conheça algumas das mudanças esperadas de um governo de maioria conservadora

O programa eleitoral do Partido Conservador "afirmava claramente que não ampliaríamos o período de transição", completou.

Projeto de lei reescrito

A equipe de Johnson está reescrevendo o projeto de lei que deve traduzir para a legislação britânica o Tratado de Retirada assinado com Bruxelas para "proibir o governo de aceitar qualquer extensão", destacou.

O primeiro-ministro, que tem agora uma cômoda maioria parlamentar, apresentará o texto ao Parlamento na sexta-feira, mas a aprovação final deve ficar para depois do recesso de fim de ano, a tempo de cumprir com a nova data do Brexit: 31 de janeiro.

Para Entender

Boris Johnson, o político que apostou no Brexit e ganhou

Embora seja um dos políticos mais populares, ele atrai fortes críticas por uma retórica populista que lhe rendeu uma comparação com Trump e uma falta de rigor que muitos denunciam como mentiras

O acordo de divórcio prevê um período de transição até 31 de dezembro de 2020 para evitar uma ruptura brutal e caótica para a economia. Durante este período, as duas partes devem negociar sua futura relação comercial.

Caso não se consiga alcançar um acordo, o texto prevê a possibilidade de ampliar o período por até dois anos, mas para isto Londres deve apresentar o pedido até 1.º de julho. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.