Jordânia critica Israel e ameaça abrir nova crise

Rei Abdullah II se irrita com declaração de general israelense e adota posição mais dura com o país vizinho

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2011 | 03h03

O rei da Jordânia, Abdullah II, lançou raras críticas contra o governo israelense nos últimos dias, mostrando que a relação com o país vizinho já não é a mesma. Em entrevista ontem à National Public Radio (NPR), o rei disse que ainda tem boa relação com Israel, mas que, "em breve", os jordanianos começarão a questionar por que o país "mantém essas relações que não trazem benefício algum". "Nós somos os últimos aliados de Israel na região", disse Abdullah.

Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, na quarta-feira, ele antecipou várias críticas, entre elas a de que os israelenses deveriam abandonar o que ele chamou de "mentalidade de encastelamento", em referência ao crescente isolamento do país vizinho. "Continuaremos a apoiar o direito inalienável dos palestinos de terem um Estado", disse.

Em 1994, a Jordânia foi o segundo país árabe a assinar um acordo de paz com Israel - o primeiro foi o Egito, em 1979. Desde então, jordanianos e israelenses mantiveram boas relações e viveram tempos de uma cooperação bilateral efetiva. Após a primavera árabe, porém, Abdullah passou a responder a pressões internas. Metade da população da Jordânia é de refugiados palestinos - até sua mulher, a rainha Rania, é filha de palestinos.

A principal razão para o endurecimento do discurso de Abdullah, no entanto, foram as declarações de Uzi Dayan, general israelense da reserva e membro do Likud, partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

No domingo, durante uma conferência sobre o processo de paz, ele afirmou que o Estado palestino deveria ser a Jordânia, com sua capital em Amã. De acordo com o general, ele seria composto por três províncias: Jordânia, Cisjordânia e Faixa de Gaza.

Historicamente, a extrema direita israelense sempre recomendou a transformação da monarquia em uma pátria substituta para os palestinos, o que permitiria a Israel anexar mais confortavelmente parte da Cisjordânia.

Abdullah teria se irritado com as declarações, principalmente pelo fato de Dayan ser considerado na Jordânia parte do establishment israelense - ele foi chefe do Conselho de Segurança Nacional e comandante das Forças de Segurança de Israel na Cisjordânia.

Após a deterioração das relações de Israel com dois tradicionais aliados na região, Egito e Turquia, analistas israelenses temem agora que a Jordânia entre na lista de crises diplomáticas que surgiram nos últimos meses. / REUTERS e AP

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